O verão chega trazendo mais luz, mais movimento, mais encontros, mais estímulos. Tudo parece mais acelerado. Dormimos menos, saímos mais, transpiramos mais, nos expomos mais ao sol, ao calor, ao barulho, às telas, às comparações. É uma estação que exige energia física, emocional e mental. Mas, por dentro, o corpo pede outra coisa: equilíbrio.
Do ponto de vista fisiológico, o calor aumenta a ativação do sistema nervoso simpático, responsável pelo estado de alerta, ação e sobrevivência. A temperatura elevada exige mais do coração, da circulação, da respiração e do sistema de regulação térmica. O organismo trabalha mais para manter a homeostase. O resultado disso, muitas vezes, é um corpo mais cansado, inflamado, inchado, desidratado e uma mente mais agitada, reativa e dispersa.
É comum, no verão, sentirmos mais irritabilidade, mais ansiedade, mais dificuldade para dormir e mais sensação de exaustão, mesmo em dias aparentemente leves. O corpo está o tempo todo tentando se adaptar ao excesso de estímulos externos e ao calor. E quando não encontra espaço para recuperar, começa a cobrar. É exatamente aqui que o yoga entra como uma tecnologia de regulação.
Como o yoga ajuda a manter o equilíbrio até no verão
A prática consciente atua diretamente no sistema nervoso parassimpático, responsável pelos estados de descanso, recuperação e reparo. Através da respiração, das posturas e do ritmo mais lento, o corpo entende que pode sair do modo de sobrevivência e entrar no modo de equilíbrio. O yoga ajuda a regular a temperatura interna, melhora a circulação, favorece a drenagem, reduz processos inflamatórios e reorganiza a respiração, que tende a ficar mais curta e superficial nos dias muito quentes.
Além disso, o movimento consciente devolve ao corpo algo que o verão muitas vezes rouba: escuta.
Escutar quando é hora de parar.
Escutar quando é hora de beber água.
Escutar quando é hora de deitar mais cedo.
Escutar quando o excesso já passou do limite.
Yoga não começa nem termina no tapete
Cuidar do corpo também é yoga.
Hidratar-se, respeitar o cansaço, proteger-se do sol em excesso, escolher alimentos mais leves, desacelerar quando necessário. Tudo isso faz parte de uma prática que não começa nem termina no tapete, mas se estende para a forma como você vive.
O verão pede energia, sim.
Mas o corpo pede equilíbrio.
E talvez o maior gesto de autocuidado dessa estação seja aprender a expandir sem se esgotar, aproveitar sem se abandonar, viver sem se sobrecarregar.
Que o seu verão seja quente por fora, mas tranquilo por dentro.



