Cerca de 1,2 bilhão de mulheres estarão na menopausa ou pós-menopausa até 2030, de acordo com um levantamento do Talenses Group. Diante desse cenário, um dos principais órgãos reguladores do mundo anunciou uma atualização que deve influenciar debates globais sobre o tema. A Food and Drug Administration (FDA), agência responsável por regular medicamentos nos Estados Unidos, decidiu retirar o alerta de risco que acompanhava os tratamentos hormonais utilizados na menopausa. A medida acontece após uma revisão científica que reavaliou dados acumulados nas últimas décadas.
Segundo a agência, quando a terapia é iniciada até dez anos após a última menstruação ou antes dos 60 anos, os riscos associados ao uso dos hormônios são menores do que se estimava anteriormente. A mudança não altera as recomendações de forma imediata em outros países, mas tende a estimular novas análises e atualizações de condutas clínicas.
Terapia hormonal na menopausa
O alerta removido era a advertência mais grave aplicada a um medicamento nos Estados Unidos. Ele foi criado para indicar possíveis riscos como eventos cardiovasculares, AVC ou alguns tipos de câncer. A partir dessa sinalização, a busca por tratamento hormonal diminuiu e cresceu a percepção de insegurança entre pacientes e profissionais.
Com a nova avaliação, a FDA afirma que o entendimento sobre o impacto da terapia evoluiu. Estudos mais recentes mostram que o momento de início do tratamento influencia diretamente o risco. Por isso, a decisão reacende o debate sobre como orientar as mulheres que enfrentam sintomas como ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor e desconfortos urogenitais.
No Brasil, a regulação segue padrões próprios, mas a atualização norte-americana pode influenciar discussões dentro de sociedades médicas e no setor de saúde suplementar. Assim como ocorre com outras resoluções internacionais, revisões consistentes tendem a ser analisadas por especialistas e integradas às recomendações quando há consenso científico.
Outro ponto observado por profissionais é que mudanças desse tipo ajudam a diminuir estigmas associados à menopausa. Muitas mulheres ainda evitam buscar tratamento por medo, desinformação ou pela crença de que os sintomas fazem parte de um processo inevitável. Debates mais amplos e baseados em evidências favorecem a identificação precoce de sinais que interferem na vida pessoal e profissional.
Menopausa e qualidade de vida
A atualização da FDA também reforça um princípio já defendido por médicos: a terapia hormonal não deve ser aplicada de maneira padronizada. Cada paciente apresenta histórico próprio, condições clínicas específicas e necessidades distintas. A escolha do tratamento deve considerar, por exemplo, exames, frequência dos sintomas, fatores de risco e acompanhamento regular. Essa personalização é essencial em um momento da vida que afeta um número crescente de mulheres em plena atividade cotidiana e, inclusive, profissional.
Com a decisão norte-americana, cresce a expectativa de que novos estudos sejam produzidos e que outros países revisem suas diretrizes à luz das evidências mais recentes. A revisão também estimula a busca por atendimento e fortalece a discussão sobre saúde feminina em diferentes fases da vida.
A menopausa é uma etapa que merece atenção contínua e acompanhamento baseado em ciência. A retirada do alerta pela FDA não elimina a necessidade de avaliação médica, mas sinaliza avanços no entendimento sobre a terapia hormonal. A recomendação permanece: o tratamento deve ser individualizado, com análise cuidadosa dos benefícios e riscos para cada mulher.



