A saúde vaginal é parte fundamental da saúde sexual e do bem-estar feminino, mas ainda gera muitas dúvidas. Segundo um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 72,5% das mulheres brasileiras jovens apresentam sintomas vulvovaginais, como corrimento, coceira e dor durante o ato sexual. A pesquisa, conduzida com 313 voluntárias na faixa dos 30 anos e publicada no Brazilian Journal of Physical Therapy, mostrou que esses sintomas, embora impactem diretamente a qualidade de vida, muitas vezes são normalizados.
Esse tema, inclusive, ganhou destaque no Utalks, quando a ginecologista e obstetra Giovanna Krumbiegel participou de uma conversa com a nossa colunista Flávia Alessandra sobre como hábitos diários e cuidados específicos podem influenciar a saúde íntima.
Flora vaginal e equilíbrio do pH
De acordo com a médica, a saúde vaginal está inserida na saúde sexual. “É quando a gente tem todas as bactérias e microrganismos necessários para o funcionamento da vagina, garantindo lubrificação, circulação e proteção contra agentes infecciosos”. O equilíbrio da flora vaginal, formada por bactérias benéficas, é essencial para manter o pH ácido, que protege contra infecções.
Quando essa harmonia é alterada, o corpo fica mais vulnerável. Fatores como sedentarismo, alimentação desequilibrada, obesidade e estresse podem descompensar a flora. “Às vezes, a mulher tem predisposição maior a alterações no pH, o que pode causar infecções recorrentes ou excesso de fungos da própria vagina, como a candidíase”, explica Krumbiegel.
Além disso, a higiene adequada é importante para manter o equilíbrio da flora vaginal. “A mulher pode tomar vários banhos ao dia, mas é suficiente lavar apenas a vulva uma vez para não remover as bactérias boas”, orienta a médica. Além disso, o uso de calcinha de algodão é recomendado, pois permite que a pele respire, reduzindo a umidade e o risco de infecções.
Candidíase e vaginose: sintomas, causas e prevenção
Corrimentos vaginais são comuns, mas mudanças no odor, na cor ou na consistência podem indicar problemas. Entre as infecções mais frequentes estão a candidíase e a vaginose bacteriana. A candidíase ocorre quando há excesso de fungos naturalmente presentes na vagina. Seus sinais incluem coceira intensa, corrimento esbranquiçado e desconforto durante a relação sexual. “Evitar estar muito acima ou abaixo do peso, manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios regularmente ajuda na prevenção”, destaca Krumbiegel.
Já a vaginose é caracterizada pelo odor de peixe, resultado do crescimento excessivo da bactéria gardnerella, um microrganismo que normalmente está presente na vagina, mas que em excesso altera o equilíbrio da flora. “Não é uma doença sexualmente transmissível nem grave. Ela acontece quando o pH vaginal está mais básico”, afirma a médica.
O uso de calcinha sintética, biquíni úmido, excesso de carboidratos ou açúcar, além de predisposição individual, podem favorecer a condição. O tratamento deve ser feito com medicação oral ou vaginal, conforme a preferência da paciente.
Hábitos saudáveis ajudam na saúde vaginal
Além disso, é importante adotar hábitos complementares, como trocar absorventes e protetores diários com frequência, manter roupas íntimas limpas e secas, e reduzir o uso prolongado de materiais sintéticos. Incluir alimentos ricos em probióticos, como iogurte natural, e vitaminas essenciais, como A, C e zinco, auxilia na manutenção da flora vaginal. A prática regular de atividade física melhora a circulação e o equilíbrio hormonal, enquanto reduzir o consumo de açúcar e carboidratos refinados ajuda a prevenir a candidíase.
O sexo, quando acompanhado de cuidados básicos, não representa risco para a saúde vaginal. Uso de preservativos, lubrificação adequada e atenção a sinais incomuns ajudam a prevenir complicações. Consultas regulares ao ginecologista são essenciais para identificar alterações precocemente e garantir bem-estar físico e sexual.
Portanto, cuidar da saúde vaginal envolve atenção diária e hábitos consistentes, desde a escolha da roupa íntima até alimentação e exercícios. Com informações corretas e acompanhamento médico, é possível prevenir desconfortos, infecções recorrentes e manter a intimidade feminina saudável, promovendo qualidade de vida e bem-estar sexual.
Confira o Utalks completo!



