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Um novo termo tem estado presente nas discussões sobre comportamento e saúde mental: o ROMO, sigla em inglês para relief of missing out, que pode ser traduzido como alívio de perder algo. A expressão descreve uma tendência que vai na direção oposta da hiperconexão. Em vez de buscar acompanhar todas as notícias, responder a todas as mensagens ou participar de todos os eventos, o ROMO propõe uma relação mais tranquila com o tempo e com o próprio ritmo.

O conceito reflete um movimento de pessoas que estão deliberadamente reduzindo o uso das redes sociais ou escolhendo ficar de fora de certas conversas digitais. Não se trata de desistência, mas de uma decisão consciente de se desconectar sem culpa. Em um mundo que valoriza o imediatismo, o ROMO representa a aceitação de que não é possível ver, ler ou estar em tudo e que isso pode ser benéfico.

Do medo ao alívio

A ideia do ROMO surgiu como contraponto ao conhecido FOMO (fear of missing out) ou medo de ficar de fora, em tradução livre. Esse termo se popularizou nas redes sociais para descrever a sensação de ansiedade que muitas pessoas sentem ao ver o que os outros estão fazendo. O feed infinito e as atualizações constantes reforçam o sentimento de que algo importante está acontecendo em outro lugar, e de que é preciso estar sempre presente para não perder nada.

O FOMO, embora comum, muitas vezes gera exaustão e sensação de sobrecarga. A busca por estar em todos os lugares, ainda que virtualmente, acaba reduzindo o tempo de descanso e ampliando o nível de ansiedade. O ROMO, por sua vez, surge como uma reação a esse ritmo acelerado. Adotar o ROMO significa, por exemplo, decidir não assistir a uma série que todo mundo está vendo, escolher passar o fim de semana longe do celular ou aceitar que algumas mensagens podem ser respondidas depois. São atitudes que indicam um novo modo de lidar com o excesso de estímulos. Em vez de culpa por não acompanhar tudo, o foco está em sentir alívio e recuperar presença.

ROMO como prática de autocuidado

Encontrar alívio em perder algo é, inclusive, uma forma de cuidar de si. O ROMO estimula o silêncio e o descanso mental, elementos essenciais para o equilíbrio emocional. Ao reconhecer que o tempo é limitado, a pessoa passa a usá-lo de maneira mais consciente, priorizando atividades que realmente fazem sentido.

Como resultado, esse movimento representa uma mudança de perspectiva sobre o que significa estar bem. Ou seja, em vez de buscar mais informações, eventos e interações, o foco passa a ser a qualidade das experiências. O descanso deixa de ser visto como falta de produtividade e passa a ser entendido como parte do cuidado diário.

Praticar ROMO, nesse sentido, é um gesto de atenção às próprias necessidades. Em outras palavras, é escolher se desconectar sem medo de perder oportunidades, compreendendo que o que se ganha é espaço mental. E, em um mundo em que o excesso de estímulos se tornou regra, essa escolha pode ajudar a ter uma vida mais leve e presente.


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