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No ano passado, quando completei 50 anos, comecei a perceber mudanças no meu corpo que eu não conseguia explicar. A primeira delas foi a insônia. Eu sempre dormi bem, mas, de repente, minhas noites passaram a ser agitadas e pouco restauradoras. Durante semanas, achei que era excesso de trabalho, talvez um período mais sensível da vida. Só depois, em uma consulta de rotina, ouvi o que ainda é difícil para muitas mulheres ouvirem: esse era um sintoma típico da menopausa.

Tempos depois, uma dor no ombro começou a surgir. Eu acreditava que era apenas consequência do costeiro pesado que usei no desfile de Carnaval como musa do Salgueiro. Até que descobri que aquela dor também tinha relação com a menopausa. O nome era síndrome do ombro congelado, mas o que mais me chamou atenção foi a constatação de que esse sintoma era comum e pouco comentado. A cada nova informação, eu me perguntava: por que nós falamos tão pouco sobre um processo que todas vamos viver?

A partir dessa descoberta, entrei em uma fase intensa de pesquisa. Comecei a ler sobre o tema, conversei com médicas e busquei trocar experiências com outras mulheres. Percebi que o que eu vivia não era um caso isolado. Muitas passavam por sintomas que não reconheciam ou que não relacionavam à menopausa. Outras carregavam dúvidas e receios porque nunca tiveram espaço para falar sobre o assunto.

Por que falar sobre os desafios da menopausa

Com o tempo, entendi que falar sobre menopausa é uma forma de romper com um silêncio histórico. Estamos vivendo mais, somos ativas, participamos do mercado de trabalho, cuidamos de famílias e, ainda assim, enfrentamos essa fase com poucas informações e com muitos tabus. A menopausa não deveria ser tratada como algo a ser escondido. Ela é uma etapa do corpo feminino e merece ser compreendida, inclusive, de maneira respeitosa.

Nesse processo, alguns livros me ajudaram a organizar pensamentos e ampliar o entendimento sobre o que eu sentia. Obras como Vou te contar: Tudo o que queria que tivessem me falado sobre a menopausa, de Naomi Watts, e O cérebro e a menopausa, de Lisa Mosconi, mostraram como ciência, vivência e diálogo podem caminhar juntos. E, ao mesmo tempo, lembraram que cada mulher vive essa fase com suas particularidades.

Hoje me sinto em um lugar diferente daquele início turbulento. Entendi meu corpo com mais clareza, ajustei hábitos e a autoestima também passou por uma reorganização. Não foi imediata, mas veio com a compreensão de que esse processo não significa perda. Significa transição.

A menopausa não precisa ser enfrentada sozinha

Por isso, se eu pudesse deixar um conselho para outras mulheres que estão vivendo algo parecido, seria este: não tenham receio de buscar informação. A menopausa não precisa ser enfrentada sozinha. Conversar com profissionais de saúde, ler sobre o assunto, participar de rodas de conversa e dividir percepções com amigas ajuda a diminuir inseguranças e amplia o senso de acolhimento.

Também é importante levar o tema para dentro de casa. Explicar o que está acontecendo para parceiros, filhos e familiares contribui para construir ambientes mais compreensivos e reduzir mal-entendidos. Quando o assunto deixa de ser segredo, ele deixa de ser fonte de ansiedade. Outro ponto é não se culpar por sentir. O corpo muda e cada organismo responde de uma maneira. Algumas mulheres sentem calor, outras têm alterações no sono… e outras experimentam dores que nunca tiveram. 

Ainda estamos longe de ter todas as respostas para os desafios da menopausa, mas já avançamos muito quando escolhemos não silenciar. Quando entramos nessa fase com informação e abertura para entender o que está acontecendo, o processo se torna mais leve. Informação é ferramenta e, quando combinada com acolhimento, cria caminhos mais seguros para viver essa transição com tranquilidade e respeito ao próprio corpo. E aí, vamos juntas?


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autoria

Foto de Flávia Alessandra

Flávia Alessandra

Artista e Empresária

Atriz, apresentadora, empresária e palestrante, sou inquieta – geminiana, né? –, curiosa e, além de ter fundado o Meu Ritual, também vou dividir por aqui assuntos que fazem parte da minha rotina.
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