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Recentemente visitei a exposição “A Alma Humana, Você e o Universo de Jung”, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Ela fica em cartaz até 18 de janeiro e saí de lá com a sensação de que não era apenas sobre Jung. Era também sobre o jeito como lidamos com o que sentimos. Jung, psiquiatra suíço e um dos nomes mais influentes da área, completaria 150 anos em 2025. Irônico pensar que, mais de um século depois, ainda estamos tentando entender o que ele já apontava lá atrás.

Logo na entrada, tive um impacto: centenas de cartelas de remédio penduradas no teto. E uma pergunta que não permite indiferença: “o que você faz quando se depara com um sintoma?”. Parei ali pensando em como hoje a resposta comum é eliminar desconfortos rápido. Vivemos em um era que muita gente toma remédio para dormir, outro para acordar, outro para não sentir fome. Sentir virou incômodo. Sintoma, interrupção. O corpo fala, pede pausa, mas muitas vezes silenciamos e seguimos. Como se sentir fosse falha… já parou para pensar nisso?

imagem de cartela de remedios da exposição de Jung

Jung dizia que a vida acontece nas contradições. Não existe luz sem sombra, nem só o bom sem o ruim. Somos feitos de partes que convivem: o que mostramos e o que escondemos, quem desejamos ser e quem conseguimos ser. Ou seja, ignorar a sombra não resolve nada; ela volta de outros jeitos, em sonhos, sincronicidades, sintomas físicos ou emocionais.

Jung, alquimia e provocações

A mostra também fala sobre alquimia e transformação interna. E ali lembrei das conversas com minha terapeuta. Talvez eu esteja no período de calcinação e reestruturação de pensamentos antigos. Devo confessar que saí da sala com mais perguntas do que respostas e comecei a achar que esse é o ponto. Antes de ter certeza, é preciso perguntar. É preciso sentir sem pressa, observar antes de resolver.

Tenho repetido para mim mesma o compromisso de ser justa com quem eu sou. Autenticidade é uma palavra que tem me acompanhado, e percebo que quando aceito os contrastes da vida, deixo cair o peso de tentar controlar tudo. Nada é sempre bom. Nem sempre teremos respostas imediatas. E tudo bem, né?

Nos últimos meses tenho lido Antônio Bispo e Ailton Krenak, e conectado essas reflexões com uma viagem que fiz ao Atacama. Percebo como a colonização influencia até a forma como pensamos sobre nós mesmos. A exposição fez essa ficha cair de outro jeito: até quando reagimos no automático estamos respondendo a algo que veio antes de nós.

Fiquei com a pergunta que a sala inicial me entregou: quando seu corpo fala, você escuta ou tenta funcionar? Um sintoma pode ser só um pedido de pausa. Um lembrete de limite. Um convite para olhar com mais calma. E, mais íntimo ainda: será que você também está em transição e ainda não percebeu?
Se estiver, estamos juntos. Talvez viver seja isso mesmo: aprender a existir entre extremos, em movimento, no meio do caminho. Imagino Jung apenas acenando, como quem diz: “continue”.


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autoria

Foto de Giulia Costa

Giulia Costa

Artista e assistente de direção

Artista, cineasta e amante do mar, da natureza e dos animais. Entusiasta de um olhar mais leve e de conversas francas. No Meu Ritual quero inspirar cada um a ter uma jornada mais gentil – com menos pressa e...
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