Encontre no blog

Patrocinado

Você pratica a gratidão? Essa pergunta parece simples, mas pode dizer muito sobre o funcionamento do seu cérebro. Um estudo conduzido pelos psicólogos Joel Wong e Joshua Brown, da Universidade de Indiana (EUA), revelou que expressar gratidão de forma regular melhora o bem-estar emocional e também altera a atividade cerebral. Os resultados foram publicados na Greater Good Science Magazine, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e ajudam a explicar por que agradecer faz bem, inclusive, do ponto de vista neurológico.

Na prática, gratidão é o reconhecimento do que há de positivo na vida. É quando uma pessoa consegue perceber que algo bom aconteceu, independentemente do tamanho desse acontecimento. Pode ser o apoio de um amigo, a gentileza de um desconhecido, um momento de descanso ou a sensação de segurança em um dia difícil.

Mais do que um comportamento social, a gratidão é uma resposta cognitiva e emocional que direciona o foco do cérebro para experiências construtivas. Ao fazer isso, ela reduz a atenção voltada a emoções como raiva, inveja e ressentimento. Com o tempo, essa mudança de perspectiva tende a reconfigurar circuitos neurais associados ao humor e ao equilíbrio emocional.

De acordo com os pesquisadores da UCLA, práticas cotidianas, como escrever uma carta de agradecimento, refletir sobre algo bom que aconteceu no dia ou anotar motivos de gratidão em um diário, são suficientes para ativar essas áreas do cérebro.

Como o estudo do impacto da gratidão no cérebro foi conduzido

A pesquisa reuniu quase 300 adultos, em sua maioria estudantes universitários que buscavam apoio psicológico por sintomas de ansiedade e depressão. Todos receberam sessões de aconselhamento, mas foram divididos em três grupos com atividades diferentes.

O primeiro grupo foi orientado a escrever uma carta de gratidão por semana, durante três semanas. O segundo escreveu sobre sentimentos e experiências negativas. O terceiro, por sua vez, recebeu apenas o acompanhamento terapêutico, sem tarefas adicionais.

Quatro e 12 semanas após o término dos exercícios, os pesquisadores observaram resultados consistentes: os participantes que haviam praticado a gratidão apresentaram melhora na saúde mental em comparação aos demais. Curiosamente, apenas uma pequena parcela chegou a enviar as cartas. Mesmo assim, aqueles que escreveram, mas não compartilharam o conteúdo, também relataram benefícios.

Segundo os autores, isso mostra que o impacto da gratidão independe do reconhecimento externo. O simples ato de expressar o sentimento já é suficiente para gerar mudanças internas.

A gratidão muda a forma como o cérebro reage

Três meses depois do início do estudo, parte dos voluntários participou de uma nova etapa de observação, dessa vez com exames de ressonância magnética funcional (fMRI). O objetivo era identificar se o cérebro das pessoas que praticaram a gratidão reagia de maneira diferente diante de situações que envolviam generosidade.

Durante o exame, os participantes recebiam quantias de dinheiro e decidiam se repassariam parte delas a instituições beneficentes. Enquanto faziam suas escolhas, os pesquisadores mediam a atividade cerebral em tempo real.  Os resultados mostraram que aqueles que haviam escrito cartas de gratidão apresentavam maior ativação no córtex pré-frontal medial, uma região associada à tomada de decisão e ao aprendizado. Esse padrão de atividade persistia mesmo meses após o exercício, sugerindo que o cérebro havia se tornado mais sensível à experiência da gratidão.

Para os cientistas, essa descoberta reforça a ideia de que a prática pode treinar o cérebro a reconhecer mais facilmente estímulos positivos, o que ajuda na construção de um padrão emocional mais equilibrado.

Efeitos que aparecem com o tempo

Os benefícios observados não surgiram imediatamente. Nas primeiras semanas, as diferenças entre os grupos eram poucas. No entanto, após um mês, os efeitos da gratidão começaram a se tornar mais claros, e doze semanas depois, o grupo que praticou a escrita de cartas mantinha níveis mais altos de bem-estar emocional.

Além disso, os pesquisadores observaram que o benefício estava menos ligado ao uso de palavras positivas e mais à diminuição de termos negativos nas cartas. Em outras palavras, a melhora emocional parece ocorrer não apenas por gerar pensamentos positivos, mas por reduzir o espaço mental ocupado por emoções nocivas.

Gratidão como parte do cuidado emocional

Os resultados da pesquisa sugerem que a gratidão pode ser uma ferramenta complementar no cuidado com a saúde mental. Ela não substitui a psicoterapia nem o tratamento médico, mas pode ser integrada à rotina como uma prática de autorreflexão e equilíbrio emocional.

Ao direcionar a atenção para aspectos positivos, o cérebro tende a fortalecer circuitos ligados à empatia e à regulação do estresse. Esse processo não depende de grandes gestos, mas de constância. Escrever uma carta, fazer uma pausa para reconhecer o que deu certo no dia ou agradecer mentalmente alguém são atitudes que, repetidas com frequência, ajudam a consolidar essas mudanças cerebrais.

Como concluíram os pesquisadores da UCLA, agradecer não é apenas um ato simbólico. É também uma forma de treinar o cérebro para reconhecer o que realmente importa e manter esse aprendizado ativo ao longo do tempo.


Compartilhe:

Patrocinado
Patrocinado