*Coluna assinada em parceria com Dove
Hoje, os filtros viraram parte da experiência nas redes sociais. Eles estão nos stories, nas chamadas de vídeo, nas fotos postadas no dia a dia e em ferramentas que permitem alterar o rosto inteiro com poucos cliques. Afinam o nariz, mudam a pele, ajustam o formato do rosto e criam versões que, aos poucos, se afastam de quem a gente realmente é.
A Geração Z cresceu com essas ferramentas à disposição. A gente não conheceu a internet sem câmera frontal, sem edição e sem comparação constante. Estamos sempre nos vendo. Seja trabalhando, estudando, criando conteúdo ou passando o tempo nas redes, o nosso rosto está quase sempre em evidência. Isso, por si só, já interfere na relação que temos com a própria imagem.
Além dos filtros, agora entraram em cena imagens geradas por inteligência artificial (IA). Não são mais apenas versões ajustadas de nós mesmos. São rostos que não existem, criados a partir de padrões repetidos e modificados. Mesmo sabendo disso, a comparação acontece. E quando a referência deixa de ser humana, a cobrança aumenta.
Filtros podem gerar uma desconexão sobre quem somos
Para mim, o uso frequente de filtros pode gerar uma desconexão entre quem a pessoa é e quem sente que precisa parecer ser. Quando a gente passa a se enxergar principalmente por meio de imagens reformuladas, diferentes do que vê no espelho ou na vida real, essa distância cresce. Com o tempo, isso alimenta distorções de imagem e uma insatisfação que nem sempre é fácil de explicar, mas é fácil de sentir.
Os filtros ajudam a reproduzir padrões de forma mais acessível. Eles encurtam o caminho até um ideal que já é imposto há anos. Com a IA, esse processo ficou ainda mais intenso. A tecnologia não apenas ajusta, ela cria. E cria rostos muito semelhantes entre si, com pouca diversidade.
Nesse contraponto, eu sempre lembro da cantora Alicia Keys. Ela escolheu não usar autotune, evita maquiagem muito pesada e não recorre a filtros. Essa escolha me inspira porque mostra que é possível existir publicamente sem apagar quem se é, mesmo em um mercado que estimula ajustes.
As previsões indicam que cerca de 90% de todo o conteúdo on-line será gerado por inteligência artificial nos próximos anos. Ao mesmo tempo, uma em cada três mulheres afirma sentir pressão para mudar sua aparência por causa do que vê nas redes, mesmo sabendo que muitas dessas imagens são manipuladas ou criadas por IA.
Movimentos como o Dove Sem Filtro ajudam a refletir sobre o tema
Nesse cenário, movimentos como o Dove Sem Filtro ganham ainda mais relevância. Dove é uma marca que acompanho e admiro por sustentar, há anos, um posicionamento claro em defesa da beleza real. Ao assumir publicamente que não utiliza imagens geradas por IA nem distorce a aparência de mulheres em suas campanhas, a marca usa sua visibilidade para ampliar uma reflexão necessária.
O movimento Sem Filtro foi criado para chamar atenção para a crise de saúde mental intensificada pela exposição contínua a padrões irreais. Como parte da iniciativa, artistas como a atriz Paolla Oliveira assinaram um compromisso público de não usar filtros, reforçando a importância da autenticidade e da segurança no ambiente digital.
Depois de ver artistas, influenciadores e marcas abrindo mão de filtros, fica a pergunta: você toparia o desafio de ficar um tempo sem usar filtro e observar como se sente? Pode ser desconfortável no começo, mas é um jeito honesto de se ver.



