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O Fevereiro Laranja é o mês dedicado à conscientização sobre a leucemia e à importância da doação de medula óssea. Para além das informações médicas, o período também chama atenção para uma vivência pouco visível fora dos consultórios e hospitais: a espera pelo doador compatível. Para quem aguarda um “match” genético, o tempo costuma ser marcado por incertezas, expectativas e um nível elevado de ansiedade, que afeta o paciente, assim como os familiares e cuidadores.

Ao longo deste mês, campanhas reforçam dados, explicam o processo de doação e incentivam o cadastro de novos doadores. Por isso, entender o que é a leucemia, como ela se manifesta e quais são as possibilidades de tratamento ajuda a contextualizar por que essa espera pode ser tão intensa. 

O que é leucemia e como a doença se desenvolve

A leucemia é um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea, tecido responsável pela produção das células sanguíneas. Na doença, ocorre uma produção desordenada de glóbulos brancos, que passam a se multiplicar de forma anormal e prejudicam o funcionamento das células saudáveis. Como consequência, o organismo fica mais suscetível a infecções, anemias e sangramentos.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são estimados cerca de 11.540 novos casos de leucemia por ano no Brasil. A doença está entre os 10 tipos de câncer mais frequentes no país. Entre crianças e adolescentes, o impacto é ainda mais expressivo: a leucemia é o câncer infantojuvenil mais comum no mundo, representando aproximadamente 30% dos tumores diagnosticados antes dos 15 anos e cerca de 20% dos casos abaixo dos 20 anos.

Na maioria das situações, não há uma única causa identificável. Fatores genéticos, alterações cromossômicas, exposição a radiações e algumas substâncias químicas podem estar associados ao desenvolvimento da doença. Ainda assim, a leucemia não é considerada um câncer com prevenção definida, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento.

Entre os sintomas mais comuns estão cansaço persistente, palidez, infecções, febre sem causa aparente, sangramentos, manchas roxas na pele e dores ósseas. Diante desses sinais, a orientação é procurar avaliação médica para investigação adequada.

Tipos de leucemia e possibilidades de tratamento

A leucemia pode ser classificada de diferentes formas. As principais divisões consideram a velocidade de progressão da doença e o tipo de célula afetada. Assim, ela pode ser aguda ou crônica, além de mieloide ou linfoide. As leucemias agudas costumam evoluir de forma rápida e exigem início imediato do tratamento, enquanto as crônicas tendem a ter progressão mais lenta.

O tratamento depende do tipo de leucemia, da idade do paciente e de outras condições de saúde. Em muitos casos, a quimioterapia é a base do cuidado, podendo ser associada a radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. Para parte dos pacientes, o transplante de medula óssea é indicado, sobretudo quando a resposta aos tratamentos iniciais não é suficiente ou quando há risco elevado de recidiva.

A partir daí, a busca por um doador compatível se torna um dos principais desafios do tratamento. O transplante pode ser feito com medula do próprio paciente ou de um doador. Quando não há compatibilidade na família, a alternativa é recorrer aos bancos de doadores voluntários, nacionais e internacionais. No entanto, encontrar um “match” genético pode levar tempo, já que a compatibilidade depende de características específicas do sistema imunológico.

Enquanto exames são realizados e buscas são ampliadas, o paciente entra em um período de espera que costuma ser descrito como um dos mais desafiadores do tratamento. A rotina passa a girar em torno de prazos incertos e decisões que fogem do controle individual.

Fevereiro Larança refroça a espera pelo doador e os impactos emocionais

Fevereiro, nesse contexto, deixa de ser apenas mais um mês no calendário e passa a representar um intervalo de espera. Segundo a psicóloga Renata Benetoli, a ansiedade vivida por quem aguarda um doador de medula tem características próprias. “Quem aguarda um doador de medula vive uma ansiedade muito específica. É a espera por algo que não depende apenas da vontade, do esforço ou da fé. Depende de um encontro genético. Essa espera gera medo, esperança e cansaço emocional ao mesmo tempo. E sentir isso não é fraqueza. É humano”, explica.

Para a especialista, a incerteza em relação ao futuro é um fator frequente nesse processo. “A ansiedade cresce porque o futuro fica suspenso. A mente tenta controlar o que não tem controle”, afirma. Essa tentativa de antecipar resultados pode aumentar o desgaste emocional e dificultar o descanso mental.

Além disso, o impacto psicológico não se restringe ao paciente. Familiares e cuidadores também lidam com incertezas, reorganização da rotina e preocupações financeiras e práticas. Logo, falar abertamente sobre saúde mental durante o Fevereiro Laranja amplia o alcance da conscientização e reforça a importância do cuidado integral.

Estratégias para lidar com a ansiedade durante a espera

Embora não seja possível controlar o tempo até a compatibilidade aparecer, algumas estratégias podem ajudar a tornar esse período mais manejável. Renata destaca que pequenas ações no presente podem reduzir a sobrecarga emocional.

Entre as orientações estão focar no que está ao alcance naquele dia, criar rotinas que tragam sensação de cuidado e falar sobre o que se sente, evitando o isolamento emocional. “Não carregar tudo sozinho é um ponto importante. Dividir sentimentos ajuda a organizar pensamentos e reduzir a tensão”, pontua a psicóloga.

Outra recomendação é lembrar que a identidade do paciente não se resume à espera. “É importante lembrar que você não é só essa espera. Você é muito mais”, reforça. Manter vínculos, interesses possíveis e acompanhamento psicológico, quando disponível, contribui para atravessar esse período com mais suporte.

Assim, ao falar de leucemia, o Fevereiro Laranja também convida a olhar para a experiência emocional de quem espera. Informar, acolher e dar visibilidade a esse processo faz parte de uma conscientização que vai além dos dados e alcança as pessoas envolvidas em cada história.


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autoria

Foto de Laís Siqueira

Laís Siqueira

Jornalista

Jornalista e pós-graduada em Marketing, gosto de pesquisar, descobrir histórias e traduzir conceitos complexos em conteúdos que façam sentido. Sou movida pela curiosidade e pelo interesse em explorar o universo...
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