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Celebrado em 7 de janeiro, o Dia do Leitor surgiu em 1928, a partir de uma iniciativa do poeta e jornalista Demócrito Rocha, como homenagem à fundação do jornal cearense O Povo. Quase um século depois, a data segue atual, sobretudo em um contexto em que o excesso de estímulos, telas e informações tem impactado a relação das pessoas com a leitura. Nesse cenário, o minimalismo literário aparece como um caminho possível para retomar o hábito de ler com mais intenção, menos acúmulo e mais conexão com o próprio interesse.

Ao contrário do que muitos imaginam, o minimalismo aplicado aos livros não significa ler menos ou se desfazer de tudo. Na prática, trata-se de organizar a estante de forma funcional, manter apenas o que faz sentido no momento e abrir espaço para novas leituras por meio de trocas. Além disso, essa abordagem pode contribuir para o bem-estar mental, já que reduz a sensação de excesso e facilita escolhas mais alinhadas ao que se quer ler de verdade.

Por que organizar a estante com critérios 

O primeiro passo é olhar para a estante como ela é hoje. Livros acumulados, leituras iniciadas e não finalizadas, títulos comprados por impulso ou por obrigação são comuns. Nesse momento, a recomendação é separar os livros em categorias: os que você já leu e gostaria de manter, os que ainda pretende ler e os que não fazem mais sentido.

Esse processo ajuda, inclusive, a identificar padrões. Muitas pessoas percebem que guardam livros por status ou pela ideia de que “um dia” vão ler. Contudo, manter títulos que não despertam interesse pode gerar mais frustração do que incentivo à leitura. Vale lembrar que não existe uma literatura superior. Clássicos, livros contemporâneos, romances, não ficção, poesia ou obras consideradas pop têm o mesmo valor quando cumprem seu papel de engajar o leitor.

Desapego sem culpa faz parte do processo

Desapegar de livros não significa desvalorizar a leitura. Pelo contrário, é uma forma de respeitar o próprio tempo e as próprias escolhas. Um dos motivos mais comuns para alguém dizer que não gosta de ler está ligado a experiências negativas, geralmente associadas a leituras obrigatórias na escola, na faculdade ou em contextos de prova. Retomar o controle sobre o que se lê é essencial para criar uma relação mais saudável com os livros.

Ao revisar a estante, uma boa pergunta a se fazer é: eu realmente quero ler isso nos próximos meses? Se a resposta for não, o livro pode seguir outro caminho. Doação, troca ou venda são alternativas que mantêm o livro em circulação e permitem que ele chegue a alguém que tenha interesse genuíno.

Troca consciente e leitura em movimento

A troca consciente é uma prática que cresce em clubes de leitura, eventos culturais e grupos informais entre amigos. O objetivo é em vez de comprar sempre novos livros, o leitor coloca em circulação aquilo que já não pretende ler e recebe novas obras em troca. Além de reduzir o consumo, essa prática amplia o repertório e incentiva a descoberta de autores e temas diferentes.

Outro ponto importante é combinar a troca com critérios como definir gêneros de interesse, estado de conservação e expectativas. Afinal, tudo isso ajuda a tornar a experiência mais fluida e evita novos acúmulos desnecessários.

Dicas de leitura dos nossos colunistas

Para ajudar quem quer aproveitar o Dia do Leitor e renovar a estante, os colunistas do portal Meu Ritual indicam livros que marcaram suas trajetórias pessoais e profissionais. São livros que dialogam com temas como saúde mental, relações, identidade, disciplina e cultura.

Flávia Alessandra destaca títulos como O peso do pássaro morto, de Aline Bei, Vou te contar, de Naomi Watts, e O que ninguém te conta sobre a menopausa, de Jancee Dunn. São leituras que dialogam com diferentes fases da vida e ajudam a ampliar o olhar sobre temas ligados ao corpo, às emoções e às transformações pessoais.

Otaviano Costa sugere Criatividade S.A., de Ed Catmull, que aborda processos criativos no ambiente de trabalho, e O lado B de Boni, de José Bonifácio Oliveira Sobrinho, que traz relatos sobre a construção da televisão no Brasil a partir de quem esteve nos bastidores.

Giulia Costa indica A Prateleira do Amor, de Valeska Zanello, e Oração para Desaparecer, de Socorro Acioli, livros que abordam vínculos afetivos, subjetividade e questões contemporâneas.

Tui Lemes recomenda Eu e a supremacia branca, de Layla Saad, e Relentless, de Tim Grover, que tratam, respectivamente, de consciência racial e desenvolvimento pessoal a partir de disciplina e constância.

Esther Bruno compartilha uma relação profunda com três livros. Sobre O Poder do Agora, de Eckhart Tolle, ela afirma:  “Foi o primeiro passo real que dei para cuidar da minha saúde mental. Eu saía de um período profundo de depressão e, pela primeira vez, encontrei palavras para algo que eu sentia, mas não sabia nomear: o sofrimento causado por uma mente que não para”. 

Quebrando o Hábito de Ser Você Mesmo, de Joe Dispenza, trouxe uma compreensão mais científica sobre mudança de comportamento. Segundo Esther, a obra mostra “como repetimos pensamentos, emoções e comportamentos que nos mantêm presos às mesmas versões de nós mesmos”. Por fim, Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl, ampliou sua visão sobre a dor. “Nem sempre podemos escolher o que nos acontece, mas sempre podemos escolher a postura com a qual atravessamos a vida”, destaca.

Ju Ferraz aconselha Meu Corpo, Minha Casa, de Rupi Kaur, e ressalta que a leitura fala sobre liberdade e a relação com o próprio corpo. Ela também indica Disciplina é Destino, de Ryan Holiday, e comenta: “O livro fala sobre a importância da disciplina para realizar o nosso futuro”.

Luiza Adas sugere Como sei o que sei, de Petria Chaves, e explica que a obra propõe reflexões sobre intuição sob diferentes perspectivas. “Passei dias digerindo as conversas que a jornalista teve com seus convidados, que nos apresentou ideias valiosas de forma poética e por vezes até prática”, pontua. Ela também gosta de Viva Frida, de Gerard de Cortanze. “É uma biografia maravilhosa e nada óbvia, que revela amores, dores e segredos maravilhosos de Frida Kahlo”, conta.

Sarah Aline ressalta o impacto de Irmãs do inhame, de Bell Hooks: “Esse livro foi um marco na minha vida e eu recomendo para todas as mulheres, em especial as mulheres negras. Ele é um relato, um desejo e um afago para várias dores silenciosas”, diz. Ela também adora A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown, e acrescenta que a leitura é um convite à reflexão sobre medos, inseguranças e individualidade, desde que feita de forma crítica e conectada à própria realidade.

Arlindo Grund menciona O Guarda-Roupa Modernista, de Carolina Casarin, que relaciona moda e modernismo brasileiro, e A glória e seu cortejo de horrores, de Fernanda Torres. Sobre este último, ele garante: “Esse livro roda a relação que nós temos com a vida e seus percalços”.

Gabriel Ramos compartilha duas leituras que dialogam com memória, história e identidade brasileira. Ele cita O arroz de palma, de Francisco Azevedo, romance que acompanha gerações de uma família e aborda temas como pertencimento e tradição, e O último Van Gogh, de Edney Silvestre, que mistura ficção e fatos históricos ao investigar uma das obras mais conhecidas da arte ocidental.

Dia do Leitor com menos excesso e mais intenção

Por fim, o Dia do Leitor é uma oportunidade para rever não apenas o que está na estante, mas a forma como a leitura se encaixa na rotina. Organizar, desapegar e trocar livros, por exemplo, ajuda a reduzir a pressão por ler “o que se deve” e reforça a liberdade de ler o que faz sentido agora. Em um cenário de tantas distrações, criar um espaço mais simples e funcional para os livros pode ser fundamental para manter a leitura mais presente no dia a dia.


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Foto de Laís Siqueira

Laís Siqueira

Jornalista

Jornalista e pós-graduada em Marketing, gosto de pesquisar, descobrir histórias e traduzir conceitos complexos em conteúdos que façam sentido. Sou movida pela curiosidade e pelo interesse em explorar o universo...
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