*Coluna assinada em parceria com Dove
Você já parou para pensar o que é beleza real? Em que momento aprendemos que certos corpos, cabelos, tipos e tons de pele eram mais aceitos do que outros? E por que ainda hoje tanta gente sente que precisa mudar algo em si para se sentir pertencente? Essas perguntas me atravessaram em novembro e foram a base do tema que eu mesma propus para o painel “A nova beleza é plural: quando diversidade deixa de ser pauta e vira posicionamento”, no evento Creator Economy Experience, em São Paulo.
Estar em um espaço onde a pluralidade foi discutida abertamente me ajudou a entender em que ponto estamos dessa conversa e quais passos ainda precisam ser dados. Falar sobre beleza real é, para mim, questionar padrões que foram naturalizados por décadas e seguem influenciando a maneira como nos vemos e nos colocamos no mundo.
Quando eu era mais nova, minhas referências eram limitadas. A informação vinha, principalmente, das revistas, da televisão e da publicidade. As imagens se repetiam: corpos muito parecidos e pouca diversidade visível. A mensagem era clara, mesmo quando não era dita em voz alta: barrigas não dobram, peles não têm espinhas e cabelos “bonitos” seguem uma regra. A gente crescia acreditando nisso sem questionar, né?
Hoje, com as redes sociais, temos acesso a muito mais narrativas, corpos e histórias. Ainda assim, isso não significa que o problema esteja resolvido. O algoritmo tende a reforçar o que já consumimos e, se não houver uma busca ativa por diversidade, corremos o risco de continuar presos ao mesmo padrão. Vejo avanços, claro. Temos mais debates, mais questionamentos e mais espaço para conversas que antes não existiam… Mas também vejo como a pressão estética continua presente, apenas com novas formas.
Quando diversidade vira posicionamento
Essa discussão também passa por quem ocupa os espaços de decisão. Não adianta falar sobre pluralidade se a maioria dos cargos de liderança continuam sendo ocupados pelos mesmos perfis. Pessoas pretas, pessoas LGBTQI+ e outras que historicamente não foram consideradas “padrão” para essas posições precisam estar cada vez mais em cargos de poder. É nesse ponto que diversidade deixa de ser discurso e passa a ser posicionamento.
Por isso, gosto de observar empresas e marcas que sustentam essa conversa ao longo do tempo. Dove é um exemplo nesse contexto. Há mais de 20 anos, a marca fala sobre beleza real, muito antes de o tema ganhar força nas redes sociais ou virar tendência de mercado. Quando uma empresa mantém esse compromisso por tanto tempo, ela mostra que diversidade não é uma estratégia de marketing, mas um pilar da sua identidade.
Mulheres que se consideram bonitas ainda são poucas, segundo dados de Dove
Outro dia, olhando o Relatório Global de Dove sobre Beleza Real, alguns números me chamaram atenção. Quase 40% das mulheres no mundo dizem que abririam mão de um ano ou mais de suas vidas para alcançar a aparência considerada ideal. E mais: pouquíssimas mulheres (apenas 4%) se consideram bonitas.
No Brasil, muitas meninas dizem que se sentiriam menos julgadas se houvesse mais representatividade no ambiente digital. A partir desses dados, fiquei questionando como o discurso sobre beleza impacta escolhas, comportamentos e até a forma como ocupamos espaços.
Beleza real como escolha, não obrigação
Quando penso em beleza real hoje, penso muito mais em liberdade do que em aparência. Liberdade para usar maquiagem ou não, mudar o cabelo ou mantê-lo como é, cuidar do corpo do jeito que fizer sentido para você. A beleza real começa quando paramos de viver em função do olhar do outro e deixamos de adiar experiências porque o cabelo não acordou como gostaríamos ou porque o corpo não parece “adequado” para determinada roupa.
Por isso, deixo um convite: olhe para si com mais honestidade. Quantas escolhas ainda fazemos tentando atender a um padrão aprendido lá atrás? Quantas vezes deixamos de viver algo por achar que não estávamos “do jeito certo”? Se a nova beleza é plural, ela precisa ser mais humana, mais diversa e mais próxima de quem realmente somos.



