Muita gente me pergunta de onde vem tanta energia. Uns acham que é do palco, outros dizem que é genética, tem quem aposte no café. Mas energia, pra mim, é construção diária. E parte dessa construção está no que chamo de meu ritual de autocuidado.
Passei dos cinquenta. E quanto mais o tempo passa, mais entendo que o autocuidado é fundamental e que ele não deve começar só depois dos cinquenta. É algo que precisa ser cultivado antes, como um investimento na própria vida.
Hoje, meu ritual é simples e consciente. Beber muita água, fazer pausas durante o dia, tentar dormir bem todas as noites. A ciência comprova: sono perdido não se recupera. Não adianta dormir quatro horas hoje e achar que vai compensar dormindo quatro a mais amanhã. O corpo não faz esse tipo de acordo. Cuidar do sono é cuidar da mente, da memória, da emoção.
Mas esse entendimento se ampliou depois de tudo que eu vivi e sobrevivi para contar. Depois da minha cirurgia cardíaca, quando descobri um aneurisma na aorta, percebi que, mesmo mantendo uma vida aparentemente saudável, meu autocuidado não estava completo. Eu não fazia o check-up geral havia um tempo e, sem perceber, carregava dentro de mim uma bomba-relógio silenciosa. Foi um susto e, ao mesmo tempo, um despertar.
Autocuidado é cuidar do invisível
O autocuidado também é isso: atenção ao que não se vê, ao que não dá sinais. É cuidar do invisível. Fazer exames completos, manter a rotina médica em dia, cuidar do corpo e também da cabeça. É prevenção! E para quem sempre viveu de “peito aberto” como eu, é a melhor forma de cura, por antecipação.
E há outro tipo de cuidado, que vai além da saúde física: o cuidado do amor. A Flávia faz parte do meu ritual. A gente se observa, se escuta, se acolhe. Percebe quando o outro está cansado, com o olhar pesado, com a energia baixa. Às vezes ela sugere que eu durma mais cedo, outras vezes sou eu quem a incentivo a parar. Um lembra o outro das consultas, dos exames, de beber mais água. É um olhar atento e afetuoso que transforma o cotidiano em um pequeno laboratório de amor e prevenção.
Porque o autocuidado também está no toque, no abraço, na pausa. O abraço cura, o abraço alivia. Ele equilibra energias, restabelece forças, previne o que nem sempre tem nome.
Aprendi que cuidar de mim é cuidar de quem amo. E que o amor, quando é atento, é o melhor remédio de todos. O autocuidado é meu ritual de respeito à vida. E o cuidado mútuo, o nosso ritual do amor.



