Na adolescência e na faculdade, fazer amigos parecia acontecer sem a gente perceber. Um dia você sentava do lado de alguém, emprestava uma caneta e pronto: virava amizade. Agora, com 25 anos, parece que a coisa ficou mais difícil. Para encontrar um amigo, precisa conciliar agenda, fuso horário, trabalho, boletos e humor do dia. Às vezes, manter amizades na vida adulta parece quase um projeto de logística internacional.
Tenho amigos em fases completamente diferentes da vida. Uns casando, outros tendo filhos, outros ainda tentando entender se morar junto é ou não o mesmo que casar. Tem quem nunca tenha namorado, quem ainda more com os pais e quem já esteja discutindo a decoração do quarto do bebê. No começo eu achava que isso dizia alguma coisa sobre quem estava mais avançado, mas hoje acho que só mostra que ninguém sabe muito bem o que está fazendo.
A vida adulta bagunça o cronograma coletivo. Antes, todos estávamos no mesmo barco: escola, provas, férias, festas. Agora cada um tem um roteiro próprio, e tentar comparar é inútil. Não existe um modelo de vida certo. Só versões diferentes do mesmo caos.
As amizades na vida adulta deixam de ser algo automático
O que muda é que, depois de um tempo, a amizade deixa de ser algo automático. Quando somos mais novos, a convivência cria vínculos por pura frequência: a gente se via toda semana, mesmo sem precisar marcar. Na vida adulta, manter uma amizade exige intenção. É marcar um jantar e remanejar três vezes. É mandar um “vamos nos ver?” e realmente marcar (ou ao menos tentar). É lembrar de mandar mensagem quando algo faz você pensar naquela pessoa.
É esforço, sim. Mas também é recompensa. Porque as amizades que sobrevivem à correria da vida adulta são aquelas em que os dois lados escolhem continuar, mesmo quando não é fácil. É o “amigo que entende quando você some”, mas também o “amigo que não deixa você sumir pra sempre”.
A maturidade traz outra coisa boa: a liberdade de deixar algumas amizades irem, e de aceitar que isso não significa fracasso. Às vezes, as pessoas se afastam porque os caminhos mudam (e tudo bem!). O afeto que existiu não deixa de ser verdadeiro só porque não cabe mais na rotina.
O que aprendi (ou estou tentando aprender) é que ser adulto é, entre outras coisas, descobrir que ninguém está seguindo o mesmo ritmo e que tudo bem caminhar em velocidades diferentes, desde que a gente ainda se encontre de vez em quando no meio do caminho.
Por isso, acho importante continuar mandando mensagem, mesmo quando a resposta demora. Rir das faltas de tempo. Fazer o possível e aceitar que o possível já é muito. No fim, amizades na vida adulta são isso: um pacto silencioso entre pessoas que estão tentando dar conta da própria vida, mas que ainda arrumam um jeito de perguntar “você tá bem?”.



