Durante a gravidez, muitas dúvidas surgem: grávida pode treinar? Que tipo de exercício é seguro? É permitido tomar whey? E o café do dia a dia, continua liberado? Entre mitos e recomendações, a gestação é um período em que cuidar do corpo e da alimentação ganha ainda mais importância tanto para a mãe quanto para o bebê.
De acordo com o Ministério da Saúde, gestantes saudáveis podem realizar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, divididos em três ou mais dias. Os exercícios ajudam a manter a função cardiopulmonar e reduzem o risco de complicações como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Ou seja, o movimento não só é bem-vindo como é benéfico para a gestação. Mas, claro, sempre com acompanhamento médico e orientação de profissionais de saúde para garantir segurança em cada etapa.
Os benefícios do treino durante a gestação
Praticar atividade física durante a gravidez vai além da manutenção da boa forma. O treino ajuda a melhorar a disposição, favorece o sono e fortalece músculos importantes para a sustentação da coluna, algo essencial diante das mudanças posturais que a gestação traz.
O treino com pesos, por exemplo, não está proibido. Com a supervisão correta, pode ser uma ferramenta para fortalecer costas, quadris e pernas, regiões que suportam maior sobrecarga nesse período. Ainda assim, há pontos de atenção. Se, para muitas mulheres, o exercício é sinônimo de sono mais profundo, para outras a prática muito próxima da hora de dormir pode gerar agitação e atrapalhar o descanso. Por isso, respeitar o ritmo individual é parte do processo.
E depois do parto? A recomendação é retomar os treinos de forma gradual, sempre com liberação médica. Cada organismo tem um tempo próprio de recuperação, e respeitá-lo é fundamental para que a volta ao exercício seja segura.
Alimentação consciente: o que pode e o que merece cautela
Em uma conversa no Utalks com a nossa colunista Flávia Alessandra, a nutricionista Jenni Garcia trouxe pontos importantes sobre escolhas alimentares nesse período. Um deles é a atenção redobrada com alimentos crus. “Tem que ter cuidado para não ter uma contaminação e gerar uma bactéria ou salmonela que esteja no peixe e passar para a grávida e o bebê. Por isso, é recomendável cautela”, destaca. A recomendação é priorizar alimentos bem cozidos e redobrar os cuidados com a higienização de frutas, verduras e legumes.
E os suplementos? A resposta depende do caso. Jenni explica que a creatina, por exemplo, costuma ser associada a treinos de performance e não faz tanto sentido no contexto da gravidez, quando o objetivo é saúde e qualidade de vida. Já o whey protein pode ser utilizado, mas sempre com moderação e atenção ao rótulo. Marcas que utilizam adoçantes artificiais e corantes não são recomendadas. “É melhor que o whey seja usado como um complemento do que suplemento”, pontua.
Outro ponto que gera dúvidas é o consumo de cafeína. A boa notícia é que o café não precisa ser totalmente cortado, mas moderado. A indicação é limitar a ingestão a, no máximo, três xícaras por dia. Para quem busca alternativas, chás de frutas naturais, como o feito com casca de abacaxi, podem trazer sabor e conforto, sem os efeitos estimulantes da cafeína.
Gravidez pede acolhimento e equilíbrio
Ao falar sobre treino e alimentação na gestação, um aspecto precisa ser lembrado: não se trata de manter padrões estéticos ou buscar resultados rápidos. O período da gravidez pede acolhimento, equilíbrio e cuidados que valorizem a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê.
Exercícios moderados, aliados a uma alimentação segura e nutritiva, são estratégias comprovadas para promover o bem-estar. No fim das contas, a gestação é também uma chance para criar novos hábitos que podem permanecer no pós-parto e acompanhar a vida da mulher por muito mais tempo. Afinal, manter-se ativa e atenta à alimentação é um investimento não apenas em nove meses, mas em anos de saúde.



