A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, caracterizada pela interrupção dos ciclos menstruais e pela diminuição gradual da produção hormonal. Esse processo geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos e faz parte de uma fase mais ampla chamada climatério, que engloba o período de transição entre a fase reprodutiva e não reprodutiva.
Segundo o IBGE, cerca de 30 milhões de brasileiras estão passando pela fase do climatério ou da menopausa. Durante esse período, é comum o surgimento de sintomas como ondas de calor, sudorese noturna, alterações de humor, insônia e secura vaginal. Para atender a esse público, o Sistema Único de Saúde (SUS) vem ampliando protocolos e serviços voltados ao cuidado durante o climatério e a menopausa.
Um dos avanços mais recentes é o Projeto de Lei 876/25, aprovado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A proposta prevê a criação de um protocolo clínico nacional para o tratamento dos sintomas do climatério no SUS. O documento deverá orientar profissionais de saúde sobre as melhores práticas, promover o uso racional de medicamentos e assegurar que o tratamento seja individualizado, levando em conta a idade, o tempo desde a menopausa e o histórico de cada paciente.
Iniciativas regionais fortalecem o tratamento da menopausa
Atualmente, entre as alternativas para tratar a menopausa está a terapia de reposição hormonal, que pode ser prescrita pelo clínico geral, médico da família ou ginecologista. O tratamento é indicado a partir do relato dos sintomas e da avaliação individual, que deve incluir o exame de possíveis contraindicações, como histórico de câncer de mama ou de endométrio, trombose venosa profunda e problemas hepáticos.
Além da iniciativa federal, algumas cidades já avançaram em políticas próprias. Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde pretende lançar até o fim do ano a “Linha de Cuidados para a Mulher no Climatério, Menopausa e Pós-Menopausa”. O documento, elaborado pela Área Técnica de Saúde da Mulher, propõe um atendimento integral nas unidades de saúde da capital. A ideia é que as pacientes sejam acolhidas por equipes multiprofissionais, formadas por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e fisioterapeutas. A rede municipal estima que mais de 4 milhões de mulheres estejam entre 40 e 70 anos, público que será diretamente beneficiado pela nova linha de cuidado.
No Paraná, o SUS também mantém serviços voltados a essa faixa etária. As unidades de saúde realizam consultas, exames preventivos e orientações sobre práticas de autocuidado. A rede estadual disponibiliza ainda medicamentos para o tratamento de sintomas do climatério e promove o rastreamento de doenças associadas, como osteoporose e câncer colorretal. Por lá, as pacientes recebem orientações sobre os tratamentos disponíveis e o mais adequado para seu quadro clínico.
Práticas complementares e acompanhamento multiprofissional
Além dos medicamentos e da terapia hormonal, o SUS oferece práticas integrativas e complementares em saúde (PICS), como acupuntura, auriculoterapia, yoga, fitoterapia, acompanhamento psicológico e nutricional, além de atividades físicas orientadas. Essas abordagens podem auxiliar, por exemplo, no controle dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida durante essa fase de transição.
Embora as PICS estejam presentes em todas as capitais e em grande parte dos municípios brasileiros, a oferta pode variar conforme a cidade. Portanto, vale verificar na Unidade Básica de Saúde (UBS) se esses serviços estão disponíveis na sua região.
Se você está passando pelo climatério ou pela menopausa e tem sentido mudanças no corpo ou no humor, procure uma unidade de saúde. O acompanhamento profissional faz diferença no cuidado e no bem-estar. Você não está sozinha: há apoio, informação e escuta à disposição em cada etapa desse processo.



