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A presença de mulheres em transição de carreira tem crescido de forma consistente no Brasil. Seja pela busca de realização pessoal, pela necessidade de adaptação ao mercado ou pelo desejo de encontrar rotinas mais equilibradas, muitas profissionais vêm revisitando suas trajetórias e apostando em novas áreas de atuação. Segundo uma pesquisa da plataforma DataCamp, 51% dos brasileiros planejam mudar de profissão no futuro, enquanto 56% acreditam que esse tipo de movimento será cada vez mais comum entre as próximas gerações. O mesmo estudo mostra que 17% dos entrevistados consideram a mudança positiva, mas têm medo de arriscar. Outros 16% acreditam no potencial do movimento, mas sentem que o mercado não está favorável. Somente 6% não veem a transição como uma opção viável.

Os números mostram que o desejo de mudança existe, mas vem acompanhado de dúvidas e inseguranças. No caso das mulheres, esse processo costuma envolver um conjunto maior de fatores, como responsabilidades familiares, expectativas de estabilidade e a necessidade de conciliar diferentes papéis sociais enquanto constroem novos caminhos profissionais.

Propósito e reinvenção como ponto de virada

Entre as principais motivações para iniciar uma transição de carreira estão o desejo de propósito e a insatisfação com a rotina anterior. Para o público feminino, o processo começa silenciosamente, quando o trabalho deixa de representar aprendizado, perspectiva de crescimento ou satisfação.

Foi o que aconteceu com Andréa Fonseca, hoje coordenadora de Customer Success em uma empresa de tecnologia. Formada em engenharia agrícola e ambiental pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, ela trilhou um caminho diverso antes de encontrar a nova carreira. “Trabalhei com educação, fui dona de bar e engenheira ambiental. Em todas essas experiências, percebia que o relacionamento com o cliente mais me motivava. Quando percebi que podia unir isso a um trabalho remoto e com mais flexibilidade, comecei a estudar o setor de tecnologia”, conta.

A mudança começou em 2021, período em que a pandemia acelerou reflexões sobre prioridades e qualidade de vida. “A educação já não me despertava mais interesse. Eu queria um trabalho que unisse propósito, aprendizado e qualidade de vida. Foi quando descobri o Customer Success e percebi que minhas habilidades de relacionamento seriam úteis nesse novo contexto”.

Como acontece uma transição de carreira

Iniciar esse movimento envolve pesquisa, preparo e uma dose de paciência. No caso de Andréa, o primeiro passo foi entender o que existia além da área onde trabalhava. “Pensei em migrar para Product Manager, Customer Success e Ciência de Dados, até decidir seguir em CS. Eu busquei entender o mercado e fiz diversos cursos online gratuitos, como bootcamps. Também conversei com profissionais no LinkedIn para conhecer a realidade das funções”.

A transição ganhou forma quando as entrevistas de emprego começaram a surgir. “Quando fui chamada para as primeiras entrevistas, já considerei uma conquista. Foi quando percebi que estava evoluindo. Depois de algumas tentativas, consegui meu primeiro emprego na área”. Antes da tecnologia, Andréa já havia acumulado vivências que ajudaram na transição. Na educação, aprendeu sobre empatia e comunicação; como dona de bar, desenvolveu autonomia e relacionamento com o público; e na engenharia ambiental fortaleceu sua capacidade de lidar com processos e métricas. Somadas, essas habilidades criaram uma base sólida para a nova atuação.

Hoje, à frente de um time de Customer Success, ela afirma que encontrou um caminho que faz sentido para sua trajetória. “O que me motiva é acompanhar o desenvolvimento dos clientes e do meu time. Saber que o trabalho tem impacto e contribui para resultados concretos me dá satisfação”, comenta.

O papel da coragem e do planejamento

A transição de carreira ainda envolve incertezas, mas o planejamento ajuda a tornar o processo mais seguro. Andréa reforça que coragem e preparação caminham juntas. “Nem sempre é preciso começar do zero. É importante entender quais habilidades podem ser aproveitadas e o que o mercado valoriza”. De acordo com ela, as negativas ao longo do caminho não devem ser vistas como fracasso. “Você bate na trave várias vezes antes de acertar o gol. O importante é continuar se desenvolvendo e ter paciência”.

Além disso, redes de apoio e comunidades profissionais têm sido fundamentais para ampliar o número de mulheres em transição de carreira. Grupos voltados para mulheres na tecnologia, por exemplo, ajudam na troca de experiências, no compartilhamento de informações e na construção de novas referências.

Dicas para quem quer fazer transição de carreira

Atualmente, o mercado de trabalho tem passado por um processo de transformação que favorece profissionais com trajetórias diversas. As carreiras lineares perderam espaço para modelos mais flexíveis, baseados em aprendizado contínuo, autonomia e adaptação a novas demandas. Cada vez mais mulheres têm assumido o protagonismo de suas trajetórias, mostrando que recomeçar não é sinônimo de instabilidade, mas de maturidade, estratégia e capacidade de se reinventar em um cenário em constante mudança.

Por fim, Andréa acredita que a transição de carreira se torna mais leve quando encaramos o processo como um caminho de autoconhecimento. Para ela, explorar possibilidades, observar o que faz sentido e se permitir aprender ao longo do percurso são atitudes que sustentam a confiança necessária para seguir adiante. E é nesse espírito que ela resume seu conselho para quem está começando: “Busque conhecer o mercado, falar com pessoas referência da área, estudar sobre eles, identificar suas habilidades pessoais e fazer um match com a carreira que você quer. Além disso, tenha coragem”.


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autoria

Foto de Laís Siqueira

Laís Siqueira

Jornalista

Jornalista e pós-graduada em Marketing, gosto de pesquisar, descobrir histórias e traduzir conceitos complexos em conteúdos que façam sentido. Sou movida pela curiosidade e pelo interesse em explorar o universo...
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