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Em períodos como Natal, Réveillon, Carnaval e feriados prolongados, as celebrações se estendem, os brindes se repetem e o consumo de bebida alcoólica aumenta. Como resultado, esse excesso pode desencadear a síndrome do coração festeiro (ou holiday heart syndrome em inglês), condição em que o ritmo do coração sofre alterações temporárias após a ingestão elevada de álcool. Palpitações, cansaço e sensação de batimento irregular costumam surgir ainda durante a bebedeira ou poucas horas depois, quando o efeito da bebida começa a diminuir.

Embora muitas pessoas associem esses sintomas apenas à ressaca, a síndrome do coração festeiro descreve um quadro clínico específico, reconhecido pela medicina, que envolve alterações elétricas no funcionamento cardíaco. O ponto de atenção é que o problema pode atingir indivíduos sem diagnóstico prévio de doença cardiovascular, o que faz com que os sinais sejam, muitas vezes, subestimados.

A condição está relacionada a episódios de ingestão excessiva e concentrada de álcool, e não ao consumo ocasional ou moderado. Por esse motivo, ela tende a ser observada com mais frequência em datas comemorativas, quando o volume ingerido costuma ser maior.

Como o álcool interfere no funcionamento do coração

A principal alteração associada à síndrome do coração festeiro é a fibrilação atrial, um tipo de arritmia caracterizada pela desorganização da atividade elétrica dos átrios, que são as câmaras superiores do coração. Nesse cenário, os impulsos elétricos deixam de seguir um padrão regular, o que compromete a coordenação dos batimentos cardíacos.

Assim, os ventrículos passam a responder de forma irregular a esses estímulos, resultando em um ritmo cardíaco descompassado. Esse processo explica sintomas como palpitações, sensação de coração acelerado ou fora do ritmo habitual, além de cansaço e falta de ar em algumas situações. “O álcool atua nesse mecanismo de diferentes formas. Durante a intoxicação, há redução do pH do sangue, desidratação e perda de eletrólitos, elementos fundamentais para a condução elétrica adequada do coração. Além disso, o consumo elevado costuma estar associado a fatores como privação de sono, alimentação irregular e menor ingestão de água, o que amplia o impacto sobre o organismo”, comenta o cardiologista Marcelo Maranhão.

Portanto, não é apenas o álcool isoladamente que favorece o surgimento da arritmia, mas a combinação desses fatores em um curto intervalo de tempo. “Essa soma ajuda a explicar por que a síndrome pode se manifestar mesmo em pessoas jovens e consideradas saudáveis”, alerta o médico.

Outro ponto relevante é o momento em que os sintomas aparecem. Em muitos casos, eles surgem ainda durante o consumo ou algumas horas depois, quando o nível de álcool no sangue começa a cair. “Isso faz com que a relação entre os sinais e a ingestão alcoólica nem sempre seja imediatamente reconhecida”, observa Maranhão.

Quando a síndrome do coração festeiro foi identificada

A síndrome do coração festeiro foi descrita pela primeira vez em 1978 pelo pesquisador americano Philip Ettinger. Ao analisar atendimentos hospitalares durante períodos de festas, ele observou que pacientes sem histórico de doenças cardíacas apresentavam arritmias logo após episódios de consumo excessivo de álcool. A partir dessa constatação, o termo passou a ser utilizado para caracterizar esse padrão clínico.

Atualmente, o diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica, do histórico recente de ingestão alcoólica e de exames como o eletrocardiograma. Em muitos casos, a arritmia é transitória e se resolve em até 24 ou 48 horas após a interrupção do consumo, reidratação e descanso. Ainda assim, isso não significa que o quadro deva ser ignorado.

Palpitações persistentes, dor no peito, falta de ar intensa, tontura ou sensação de desmaio são sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação médica imediata. “A fibrilação atrial, quando mantida, pode aumentar o risco de complicações, como a formação de coágulos”, revela o médico.

Por fim, a principal forma de prevenção envolve moderação no consumo de álcool, sobretudo em períodos festivos. Alternar bebidas alcoólicas com água, manter uma alimentação regular e respeitar o descanso, por exemplo, ajudam a diminuir os riscos. A síndrome do coração festeiro mostra que, mesmo em momentos de lazer, o equilíbrio continua sendo um fator fundamental para a saúde cardiovascular.


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