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Tenho pensado cada vez mais sobre como o cuidado com os pais aparece na vida adulta. Para algumas pessoas, essa responsabilidade surge aos poucos. Para outras, chega de repente. E a verdade é que cada família vive isso de um jeito. Há quem encare o processo com leveza, há quem sinta peso. Há quem tenha apoio financeiro e emocional, e há quem precise lidar com tudo com poucos recursos. Não existe uma experiência única, concorda?

Nos últimos anos, tenho observado amigos que vivem a rotina da chamada geração sanduíche. São pessoas que cuidam dos filhos, mantêm a carreira e cuidam dos pais. Esse grupo tenta equilibrar demandas que não cabem facilmente no mesmo dia. Muitas vezes, precisa abrir mão de horários, de folgas e até de planos. Outras vezes, encontra um ritmo possível, com mais divisão de tarefas.

No meu caso, meus pais estão vivos e independentes. Converso com eles quase todos os dias, viajamos juntos sempre que a agenda permite e faço questão de estar presente. Para mim, essa convivência é uma forma de cuidado desde já. Não espero chegar a um momento de emergência para me aproximar. Esse movimento, inclusive, me faz enxergar quem eles são hoje e o que desejam para os próximos anos. 

Também sei que esse contato não é igual para todos. Algumas pessoas carregam a rotina de cuidados sem rede de apoio, e isso naturalmente torna tudo mais cansativo. Outras têm condições de contratar ajuda profissional, o que alivia a carga. Por isso, quando falamos sobre cuidado com os pais, é importante reconhecer que cada realidade tem suas possibilidades e seus limites.

Dividir o cuidado com os pais pode ser uma opção sustentável

Além disso, percebo como muitas pessoas não se autorizam a pedir ajuda. Acham que precisam dar conta de tudo, e isso pode levar ao esgotamento. Dividir tarefas com irmãos ou outros familiares, buscar serviços especializados ou conversar com profissionais de saúde cria um ambiente mais sustentável. Não significa transferir o cuidado com os pais. Significa torná-lo viável.

E existe um ponto que quase sempre fica para o fim: o autocuidado de quem cuida. Pausas, consultas, descanso e tempo pessoal não são detalhes. São parte da rotina que mantém qualquer pessoa funcional. Cuidar de si enquanto cuida de alguém é uma forma de garantir presença com mais qualidade. No fim, o cuidado com os pais não precisa ser um fardo, mas também não precisa ser romantizado. Cada pessoa encontra seu próprio modo de cuidar, de participar e de estar presente, dentro das condições que tem. O importante é que esse processo seja conversado e respeite tanto quem recebe cuidado quanto quem oferece.


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autoria

Foto de Flávia Alessandra

Flávia Alessandra

Artista e Empresária

Atriz, apresentadora, empresária e palestrante, sou inquieta – geminiana, né? –, curiosa e, além de ter fundado o Meu Ritual, também vou dividir por aqui assuntos que fazem parte da minha rotina.
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