Muitas pessoas mantêm uma rotina ativa durante a madrugada, seja por estudo, trabalho ou preferência pessoal. Entre os notívagos, esse padrão tem se tornado cada vez mais comum. Entretanto, conforme mostra uma nova pesquisa, esse comportamento pode estar relacionado ao uso excessivo das redes sociais. A análise, publicada na revista científica PLOS One, aponta que quem dorme mais tarde tende a enfrentar mais dificuldades para se desconectar.
A investigação foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Portsmouth e da Universidade de Surrey, no Reino Unido, que buscaram entender de que forma o padrão de sono influencia o comportamento digital. A partir da análise, os especialistas observaram que solidão e ansiedade aparecem como fatores associados ao uso mais intenso das plataformas.
Pesquisa contou com a participação de 407 jovens
Para chegar às conclusões, o grupo entrevistou 407 jovens entre 18 e 25 anos. Todos responderam a instrumentos psicológicos validados que ajudam a mapear a preferência circadiana, ou seja, o horário em que cada pessoa costuma iniciar e finalizar o dia. Ao cruzar essas informações com a frequência de uso das redes sociais, foi possível identificar um padrão mais presente entre aqueles que se definem como notívagos.
Ao longo do estudo, os pesquisadores destacam que o uso excessivo das redes pode surgir de forma gradual. Muitas vezes, começa com checagens antes de dormir e, com o tempo, evolui para uma rotina em que as notificações se tornam difíceis de ignorar. Quando isso acontece, atitudes como abrir o aplicativo repetidas vezes, mesmo sem novos alertas, passam a ocupar grande parte das horas da noite.
Outro ponto levantado pela pesquisa envolve o desconforto ao ficar longe do aparelho, algo que já tem nome: nomofobia, termo usado para descrever o medo ou a ansiedade de estar sem o celular. Esse comportamento, quando recorrente, interfere na forma como a pessoa organiza o dia. Como resultado, atividades importantes passam a ser postergadas em favor do tempo gasto online.
Entre os sintomas relatados por quem enfrenta dificuldades para moderar o uso do celular estão o receio de perder alguma atualização e a sensação de inquietação quando o aparelho não está por perto. No caso das redes sociais, essa relação também envolve o uso prolongado, que pode reduzir a concentração durante tarefas diurnas e afetar a disposição.
À noite, as interações presenciais diminuem e as redes se tornam uma forma de distração ou companhia
Ao entender esses comportamentos, os pesquisadores sugerem que a rotina noturna pode criar um ambiente mais propício para o uso excessivo. À noite, as interações presenciais diminuem e as redes se tornam uma forma de distração ou companhia. Esse cenário favorece uma relação mais difícil com o ritmo de desconexão para os notívagos, especialmente quando sentimentos de solidão ou ansiedade já estão presentes.
Portanto, reconhecer esse padrão é um passo importante para ajustar a rotina. Algumas mudanças, como estabelecer um horário para encerrar o uso das telas, deixar o celular fora do alcance durante a noite ou criar um ritual de transição antes de dormir, podem ajudar a reduzir o tempo online. Com isso, a pessoa passa a ter mais clareza sobre seus hábitos e, aos poucos, consegue organizar melhor o descanso.



