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Março Lilás é a campanha nacional de conscientização sobre o câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical. Ao longo do mês, instituições de saúde reforçam a importância da vacinação contra o HPV, da realização periódica de exames ginecológicos e da atenção aos sinais do corpo. A mobilização ganha destaque porque esse é um dos tipos de câncer que mais atingem mulheres no Brasil e no mundo, apesar de ter potencial de prevenção e cura quando identificado precocemente.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, se as estratégias de prevenção e tratamento não forem ampliadas, o número de mortes anuais por câncer do colo do útero pode chegar a 410 mil até 2030. Em 2022, foram cerca de 350 mil mortes no mundo. Diante desse cenário, a entidade lançou, em 2020, uma estratégia global para eliminar a doença como problema de saúde pública nas próximas décadas.

SUS integra vacinação, rastreamento e tratamento

No Brasil, o tema também mobiliza o Ministério da Saúde, que integra vacinação, rastreamento e tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta é ampliar o acesso à informação e reduzir desigualdades no diagnóstico. Para entender por que o Março Lilás é tão relevante, é preciso olhar para a origem da doença.

A ginecologista Rita Alves afirma que o câncer do colo do útero está relacionado, na maioria dos casos, à infecção persistente por alguns tipos do vírus HPV. “O câncer de colo do útero não é uma doença hereditária ou genética na maioria dos casos; ele é o resultado de uma infecção persistente causada por alguns tipos do vírus HPV. Quando o sistema imunológico não consegue eliminar o vírus, ele começa a provocar alterações nas células do colo uterino que, se não tratadas ao longo de anos, podem evoluir para um tumor maligno. É um câncer que avança lentamente, o que nos dá uma janela de oportunidade para intervir e curar”, explica.

Papanicolau e teste de HPV: quando fazer cada exame?

Quando se fala em prevenção do câncer do colo do útero, dois exames costumam gerar dúvidas: o Papanicolau e o teste de HPV. Embora estejam relacionados ao rastreamento da doença, eles têm funções diferentes.

O Papanicolau é um exame citopatológico que avalia diretamente as células do colo do útero. “Ele identifica alterações que podem indicar lesões pré-cancerosas ou câncer em estágio inicial”, diz Rita. Já o teste de HPV detecta a presença do vírus, sobretudo os tipos de alto risco associados ao desenvolvimento da doença. Em outras palavras, enquanto o Papanicolau observa se já há alterações nas células, o teste de HPV investiga a presença do agente que pode causar essas mudanças.

No Brasil, a recomendação geral é que o Papanicolau seja realizado por mulheres a partir dos 25 anos que já iniciaram a vida sexual, com periodicidade definida pelo médico após dois exames anuais consecutivos normais. O teste de HPV vem sendo incorporado de forma gradual como estratégia complementar de rastreamento, especialmente para mulheres a partir dos 30 anos, conforme protocolos atualizados. Também é importante lembrar que estar sem sintomas não significa estar livre de alterações.

Sinais de alerta e a importância da vacinação contra o HPV

Um dos desafios no enfrentamento do câncer do colo do útero é que as lesões iniciais geralmente não causam dor ou desconforto. Por isso, muitas mulheres só procuram atendimento quando a doença já está em estágio mais avançado.

“O grande desafio é que as lesões iniciais são silenciosas. Mas, à medida que a doença progride, o corpo começa a dar sinais que não devem ser ignorados. Entre eles, estão sangramentos fora do período menstrual ou após a relação sexual. Também podem surgir corrimentos com odor forte ou coloração escura e dores pélvicas. Portanto, se você notar qualquer mudança no padrão do seu fluxo ou secreções, não espere o próximo exame de rotina. Procure o ginecologista para uma avaliação imediata”, orienta Rita.

Os sintomas descritos pela especialista exigem avaliação médica, principalmente quando surgem fora do padrão habitual. Ainda assim, o Março Lilás chama atenção para a importância de agir antes que qualquer sinal apareça.

A vacinação contra o HPV integra as recomendações oficiais e reduz a incidência da doença. No Brasil, o SUS oferece as doses gratuitamente para meninas e meninos entre 9 e 14 anos. Além disso, adolescentes e jovens de até 19 anos que ainda não iniciaram o esquema vacinal também podem se imunizar.

Da mesma forma, há recomendações específicas para públicos com maior vulnerabilidade. Pessoas vivendo com HIV, pacientes transplantados e vítimas de violência sexual entre 15 e 45 anos estão entre os grupos contemplados, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Embora a vacinação seja priorizada antes do início da vida sexual, adultos também podem se beneficiar. Em clínicas privadas, a vacina pode ser aplicada em pessoas até 45 anos, após avaliação médica. Mesmo quem já teve contato com o vírus pode ganhar proteção contra outros subtipos incluídos na vacina.

Câncer do colo do útero pode ser evitado?

A estratégia defendida pela Organização Mundial da Saúde combina três pilares: vacinação em larga escala, rastreamento com testes de alta qualidade e tratamento adequado das lesões identificadas. A meta é reduzir drasticamente a incidência e a mortalidade nas próximas décadas.

Março Lilás, portanto, vai além de uma campanha informativa. O mês funciona como um convite para atualizar exames, verificar a carteira de vacinação e conversar com o ginecologista sobre prevenção. Em um cenário em que o câncer do colo do útero pode ser evitado na maioria dos casos, informação e acesso aos serviços de saúde são passos concretos para mudar estatísticas e ampliar o cuidado com a saúde da mulher.


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autoria

Foto de Laís Siqueira

Laís Siqueira

Jornalista

Jornalista e pós-graduada em Marketing, gosto de pesquisar, descobrir histórias e traduzir conceitos complexos em conteúdos que façam sentido. Sou movida pela curiosidade e pelo interesse em explorar o universo...
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