Envelhecer deixou de ser apenas uma preocupação e passou a ser um tema de interesse nacional. No Brasil, 97% das pessoas demonstram algum nível de interesse pela longevidade, segundo o novo Indicador de Longevidade Pessoal (ILP), realizado pela Edelman para o Grupo Bradesco Seguros. Apesar disso, o estudo revela que muitos ainda não se planejam para envelhecer com qualidade e independência.
A pesquisa mostra que o brasileiro está mais consciente sobre o próprio envelhecimento, mas ainda enfrenta desafios para transformar essa preocupação em ações concretas. Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento acelerado da população, entender o que significa viver mais e melhor nunca foi tão importante.
Envelhecimento é visto de forma mais positiva
O levantamento, que ouviu 4.400 pessoas em todas as regiões do país com 18 anos ou mais, buscou compreender como os brasileiros encaram a longevidade. Apenas 17% dos entrevistados veem o envelhecimento de forma negativa, o que indica uma mudança cultural: envelhecer deixou de ser sinônimo de limitação e passou a ser associado a aprendizado e experiência.
Para medir o preparo da população, o estudo analisou seis pilares: atitudes em relação à longevidade, saúde física, saúde mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados e prevenção em saúde e finanças. Entre esses, o pilar “atitudes em relação à longevidade” foi o que teve melhor desempenho, mostrando que as pessoas reconhecem a importância de pensar no futuro. No entanto, as finanças ficaram com a pontuação mais baixa, sinal de que o planejamento financeiro ainda é um ponto frágil no caminho para uma vida longa e equilibrada.
Além disso, 84% dos participantes afirmam que a longevidade é uma prioridade ou algo com que se importam muito. O interesse cresce com a idade: entre pessoas com mais de 50 anos, 45% dizem querer aprender mais sobre o tema, enquanto entre os mais jovens o percentual cai para 25%.
Aprender, se exercitar e manter conexões: os novos hábitos da longevidade
Envelhecer bem está cada vez mais relacionado à curiosidade e à busca por aprendizado. Segundo a pesquisa, 78% dos brasileiros procuram desenvolver novas habilidades ou adquirir conhecimentos. E entre os que têm mais de 50 anos, o número sobe para 85%. Essa disposição para aprender aparece como um fator para manter a mente ativa e o senso de propósito ao longo da vida.
A prática de atividade física também é destaque. Três em cada quatro brasileiros (74%) dizem praticar algum tipo de exercício, embora apenas 36% mantenham uma rotina regular de treinar quatro dias ou mais por semana. Entre os grupos mais assíduos estão os homens e as pessoas com mais de 50 anos, o que mostra que o engajamento tende a crescer com o passar do tempo.
Outro dado relevante é o das referências de vida: sete em cada 10 pessoas afirmam se inspirar em alguém mais velho. Já apenas 10% têm jovens como modelo.
O futuro da longevidade no Brasil
Os resultados da pesquisa mostram que o país vive um momento de transição. Há mais interesse, mais informação e menos estigma em torno da idade. Por outro lado, ainda existe uma distância entre o desejo de viver bem e as ações práticas para isso, especialmente em relação à saúde mental, aos vínculos sociais e à segurança financeira.
Envelhecer, portanto, não é apenas uma questão biológica, mas também social e emocional. Planejar, buscar novos aprendizados e manter uma rotina de autocuidado são formas de aproveitar cada fase da vida com autonomia e qualidade.
Mais do que contar anos, a longevidade convida a refletir sobre como queremos viver esse tempo. O que significa, para você, viver mais? Estar preparado para o futuro ou aproveitar o presente de forma plena?



