Encontre no blog

Patrocinado

A demência já afeta milhões de pessoas em todo o mundo e continua avançando conforme o envelhecimento da população. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que existem cerca de 1,8 milhão de diagnósticos. As estimativas mostram que o número pode chegar a 5,7 milhões até 2050, o que reforça a importância de investigar estratégias acessíveis que contribuam para o cuidado cognitivo. Nesse cenário, um novo estudo internacional chamou atenção para um hábito cotidiano: ouvir música.

A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Monash, na Austrália, e publicada no International Journal of Geriatric Psychiatry. O objetivo foi entender se diferentes formas de contato com produções musicais poderiam estar associadas a menor risco de desenvolver demência após os 65 anos. Para isso, os pesquisadores analisaram dados de saúde de 10.893 pessoas com 70 anos ou mais, acompanhadas ao longo de três anos. Além das informações clínicas, os participantes responderam se costumavam ouvir músicas, tocar instrumentos ou conviver com atividades musicais no dia a dia.

Idosos com o hábito de ouvir música apresentam menos probabilidade de ter o diagnóstico

Os resultados mostram uma relação entre a escuta regular de músicas e a redução do risco de demência. Segundo a análise, idosos que mantiveram o hábito frequente de ouvir canções apresentaram 39% menos probabilidade de receber o diagnóstico ao longo do período estudado, quando comparados aos que relataram contato raro com músicas. Além disso, houve menor ocorrência de comprometimento cognitivo leve, estimada em 17%. Esse tipo de comprometimento costuma anteceder quadros mais graves e, por isso, é monitorado com atenção pelos profissionais de saúde.

A pesquisa observou ainda os benefícios entre participantes que tocavam instrumentos. Nesse grupo, a chance de desenvolver demência foi 35% menor. Enquanto isso, entre pessoas que reuniam as duas práticas, ou seja, tinham habilidades musicais e escutavam músicas com frequência, a redução estimada foi de 33%.

Embora o estudo não estabeleça relação de causa e efeito, seus autores destacam que atividades musicais envolvem múltiplos estímulos sensoriais e cognitivos. Ritmo, memória auditiva, reconhecimento de padrões, coordenação motora e atenção são ativados quando alguém interage com músicas, o que pode ajudar a manter certas funções cerebrais em atividade ao longo do envelhecimento. Além disso, ouvir músicas costuma fazer parte de rotinas de lazer, o que pode favorecer o bem-estar emocional e contribuir para a manutenção de relações sociais, outro fator associado à saúde cognitiva.

O que pode ajudar a terceira idade

Para além dos números, a pesquisa reforça a ideia de que práticas podem ser incorporadas ao cotidiano da terceira idade. A escuta de músicas pode acontecer durante tarefas domésticas, passeios, momentos de descanso ou encontros com amigos e familiares. Já para quem deseja explorar instrumentos, opções como aulas comunitárias, grupos musicais locais ou atividades oferecidas por centros de convivência podem facilitar a participação.

Em resumo, estudos como este apontam caminhos que não dependem de equipamentos complexos ou mudanças difíceis de manter. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de monitorar a saúde cognitiva com acompanhamento profissional regular, especialmente para quem já apresenta sinais de dificuldade de memória. Portanto, idosos que gostam de ouvir música podem ampliar as oportunidades de estímulo intelectual e social nessa fase da vida.


Compartilhe:

Patrocinado
Patrocinado