Nos últimos anos, o termo glow up se tornou uma tendência entre jovens, especialmente nas redes sociais, para descrever transformações pessoais que envolvem aparência, estilo e autoestima. Embora muitas vezes associado a mudanças físicas, como novo corte de cabelo, maquiagem ou roupas, o conceito se expandiu: o glow up hoje é visto como uma busca integral pela melhor versão de si mesmo, envolvendo hábitos, mindset, casa e estilo de vida.
O fenômeno se expandiu com vídeos que mostram o famoso “antes e depois”, reforçando a ideia de transformação rápida e visível. Entre os exemplos mais populares estão os desafios de 10 dias do glow up, criados para quem sente que perdeu foco, disciplina ou energia no meio da rotina corrida. Durante 10 dias consecutivos, os participantes seguem metas que prometem melhorar a disposição, a autoestima e até a forma como se veem no espelho. Não é apenas sobre estética: reorganizar a casa, renovar o espaço pessoal ou adotar hábitos de autocuidado também fazem parte da rotina.
Síndrome do glow up também impacta o comportamento do consumidor
Para muitos, o glow up tornou-se um ritual de reinvenção pessoal, em que cada pequena conquista (trocar o corte de cabelo, pintar um cômodo ou começar uma rotina de exercícios) funciona como um microcomeço, oferecendo sensação de progresso e controle mesmo em meio ao caos cotidiano. Para alguns, a transformação pode começar como reorganizar a escrivaninha, dedicar dez minutos à meditação ou cuidar da pele.
A tendência também impacta o comportamento do consumidor. Produtos de beleza, suplementos, aplicativos de bem-estar e serviços de design de interiores surgem como aliados, prometendo resultados rápidos e visíveis. As redes sociais intensificam essa busca, ao projetar uma imagem idealizada, enquanto ferramentas de inteligência artificial sugerem rotinas personalizadas de autocuidado. A ansiedade por soluções imediatas reflete a expectativa de que cada passo do desafio ou produto traga mudanças instantâneas.
Cresce vídeos de rotina matinal glow up
Além disso, a síndrome do glow up reforça a visibilidade social. Compartilhar resultados, mesmo sutis, funciona como capital simbólico, valorizando o esforço individual e criando senso de pertencimento. Entre os exemplos mais comuns estão vídeos de “rotina matinal glow up”, mudanças de quartos e renovações no estilo pessoal. Esses conteúdos consolidam a sensação de progresso e motivam outros a embarcarem em suas próprias jornadas.
Ainda assim, é preciso equilíbrio. A busca constante pela melhor versão de si mesmo pode se tornar uma fonte de ansiedade quando se transforma em comparação permanente com padrões irreais ou expectativas de resultados imediatos. O ideal é enxergar o glow up como oportunidade de autodescoberta, e não como obrigação de se adequar a um modelo externo.
Assim como os chamados third places (cafés, praças ou livrarias que oferecem momentos de conexão e descanso fora de casa), o glow up propõe pausas para si mesmo. Criar hábitos conscientes de autocuidado, celebrar conquistas diárias e estabelecer metas realistas ajuda a equilibrar a busca por transformação com saúde emocional. Portanto, no fim, mais do que mudanças visíveis, o glow up é sobre sentir-se bem consigo mesmo, no corpo, na mente e no espaço em que vivemos.



