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Se você ouviu por aí que a Geração Z está consumindo álcool cada vez menos, não está sozinho. A ideia ganhou força em pesquisas de comportamento, matérias de tendência e na rotina das grandes cidades, com a popularização das coffee parties e dos mocktails em bares e restaurantes. Mas será que essa percepção corresponde à realidade? 

Os números mais recentes contam uma história diferente e revelam que a relação dessa geração com o álcool está mudando, mas não exatamente como muitos imaginam. De acordo com a consultoria inglesa International Wine & Spirits Research (IWSR), 73% da Geração Z em países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália consumiu álcool no último ano. O número mostra crescimento em relação a 2023, quando eram 66%. Ou seja: falar em “queda” no consumo talvez seja simplificação demais.

O ponto não está em beber ou não beber, mas em como beber. Os jovens da Geração Z tendem a encarar o álcool menos como centro da diversão e mais como parte de uma experiência completa, que inclui o ambiente, a música, a estética do espaço e a companhia. A bebida segue presente, mas raramente é a protagonista absoluta da cena.

Dessa forma, o consumo precisa estar atrelado a propósito e contexto. Se para as gerações anteriores a quantidade muitas vezes era sinônimo de diversão, hoje pesa mais a qualidade do momento e a possibilidade de estar presente sem perder o controle.

Essa mudança também ajuda a entender o crescimento de novas formas de socialização. As chamadas coffee parties (encontros em cafés que substituem os drinques noturnos por café, chás ou kombuchas) mostram que é possível ter vida social intensa sem a presença obrigatória do álcool. Aqui, o importante é a conexão, não o teor alcoólico.

O boom das bebidas sem álcool

No Brasil, os números refletem esse movimento. Entre 2018 e 2024, o mercado de bebidas sem álcool cresceu de 133 milhões de litros para cerca de 750 milhões de litros, segundo a consultoria Euromonitor. A previsão é que esse volume dobre até 2028, chegando a 1,5 bilhão de litros.

Globalmente, a IWSR projeta que a participação das bebidas sem álcool cresça 6% ao ano até 2027 nos dez principais mercados, entre eles o Brasil. O avanço não significa que as pessoas deixaram de consumir álcool, mas que querem mais opções e liberdade para escolher entre um coquetel sofisticado ou sua versão zero, sem precisar abrir mão da experiência.

Geração Z consome álcool com menos excessos e mais equilíbrio

Outro mito que cai por terra é o da festa regada a excessos como marca registrada da juventude. Para a Geração Z, a diversão não está ligada à quantidade de copos, e sim à possibilidade de aproveitar sem comprometer o dia seguinte. A ressaca já não tem o mesmo glamour de décadas passadas.

Esse comportamento tem relação direta com o contexto em que cresceram: uma geração hiperconectada, exposta o tempo todo nas redes sociais, onde a imagem e a performance importam. Ninguém quer ser lembrado por perder o controle em público. Mais do que isso: o bem-estar físico e mental ganhou peso na hora de decidir quanto e como beber.

O estilo de vida “low & no alcohol”

O chamado movimento low & no alcohol, que inclui tanto a redução no consumo quanto a substituição por alternativas 0%, já virou estilo de vida para muitos jovens. Bares e restaurantes têm ampliado cardápios com mocktails, drinques elaborados com frutas, especiarias e ervas, que entregam a mesma sofisticação dos coquetéis tradicionais, mas sem álcool. A bebida continua sendo parte do ritual, só que em uma versão mais alinhada a valores de saúde, autenticidade e autocuidado.

Então… a Geração Z bebe menos álcool ou não?

A resposta é: depende de como você enxerga o consumo. Se a questão for simplesmente “quantos jovens bebem?”, os dados mostram que a maioria da Geração Z continua consumindo álcool. Mas se a análise for sobre frequência, quantidade e propósito, a tendência é: beber muito perdeu espaço, enquanto o beber consciente e equilibrado está em alta.

Essa ambiguidade é o que torna o comportamento da Geração Z tão interessante para a indústria e para a sociedade. Não se trata de um “não” definitivo ao álcool, mas de uma redefinição do que significa beber em grupo, socializar e celebrar.


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