Encontre no blog

Patrocinado

Dores no pescoço ao acordar, sensação constante de cansaço, rigidez muscular, dificuldade para se concentrar e lapsos de memória fazem parte do relato de muitas pessoas que convivem com dor por longos períodos. Em alguns casos, esses sintomas surgem sem uma causa clara, persistem por meses ou anos e acabam interferindo no trabalho, na vida social e nas atividades diárias. É nesse contexto que a fibromialgia aparece como uma das condições mais associadas à dor crônica no Brasil, ainda cercada por dúvidas, diagnósticos tardios e desinformação.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), entre 2% e 3% da população brasileira convive com fibromialgia. As mulheres são as mais afetadas, em uma proporção que pode chegar a sete para cada homem. Além da dor musculoesquelética difusa, considerada o principal sintoma, os pacientes costumam relatar fadiga persistente, alterações no sono, como insônia ou sono não reparador, formigamentos e dificuldades cognitivas. Esses problemas de memória e atenção são conhecidos como “nevoeiro mental” e ajudam a explicar por que a condição impacta tanto a rotina.

A necessidade de ampliar o conhecimento sobre a doença é um dos motivos pelos quais ela integra o Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre condições crônicas, como fibromialgia, lúpus e alzheimer. A campanha reforça a importância do diagnóstico precoce e do acolhimento aos pacientes.

Dor aguda e dor crônica: o que muda com o tempo

Para compreender a fibromialgia, é importante diferenciar dor aguda e dor crônica. No programa Conexão VivaBem, apresentado pela nossa colunista Flávia Alessandra, o fisioterapeuta e pesquisador em dor crônica Felipe Reis explicou que o critério principal está relacionado à duração do sintoma. “A dor aguda costuma durar até três meses. Quando ela ultrapassa esse período, passa a ser considerada dor crônica. Desde 2020, a dor crônica deixou de ser vista apenas como um sintoma e passou a ser reconhecida como uma doença”, afirmou.

Esse reconhecimento muda a forma de encarar o problema. A dor crônica, de acordo com o especialista, não afeta apenas o corpo, mas também a vida social e profissional. “Ela atinge pessoas em idade produtiva e pode gerar incapacidade para atividades do dia a dia e para o trabalho. Muitas acabam se afastando do emprego, reduzindo atividades físicas e de lazer e, em alguns casos, se aposentando precocemente”, explicou durante o programa.

Além disso, nem sempre a dor crônica tem uma causa única ou visível em exames. Para Reis, isso não significa que ela seja “apenas psicológica”. “Todas as dores envolvem fatores biológicos, psicológicos e sociais. Existe uma interação entre esses aspectos, tanto na dor aguda quanto na crônica”, disse.

Fibromialgia no dia a dia: o relato de quem convive com a condição

A experiência pessoal de quem vive com fibromialgia ajuda a ilustrar como a dor crônica se manifesta na prática. No Conexão VivaBem, a atriz Dani Valente contou que recebeu o diagnóstico em 2016, após conviver com sintomas por anos. “Eu sentia um cansaço que não passava e muita dor na cervical. Não foram três meses de dor, foram anos. Eu ia trabalhar com dor de cabeça e fadiga crônica”, relatou.

Segundo ela, o chamado brain fog também fazia parte da rotina, afetando a memória e a atenção durante as gravações. O relato é semelhante ao de muitos pacientes que demoram a associar esses sinais a uma condição específica, o que contribui para o atraso no diagnóstico e no início do tratamento adequado.

Embora não exista cura, a fibromialgia pode ser controlada. O tratamento é multidisciplinar e envolve diferentes estratégias, que variam de acordo com cada caso. Medicações, atividade física regular, fisioterapia e acompanhamento psicológico fazem parte das abordagens mais utilizadas. “Não existe um remédio único. O tratamento envolve várias frentes. Hoje, faço fisioterapia e cuido da alimentação”, relatou Dani.

Reconhecimento legal e informação como parte do cuidado

Além dos avanços na abordagem clínica, a fibromialgia ganhou reconhecimento legal. Em julho de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.176/2025, que reconhece oficialmente a fibromialgia, a síndrome da fadiga crônica e a síndrome complexa de dor regional como deficiência. A norma entrou em vigor em janeiro de 2026 e deve ampliar o acesso a direitos e políticas públicas.

Confira o programa completo:


Compartilhe:

Patrocinado
Patrocinado