Encontre no blog

Patrocinado

O Fevereiro Roxo, criado em 2014, em Uberlândia, Minas Gerais, é uma campanha de conscientização que chama a atenção para três condições crônicas: Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer. Embora sejam doenças diferentes entre si, elas compartilham um ponto em comum. Todas exigem acompanhamento contínuo, adaptação da rotina e estratégias de cuidado voltadas à qualidade de vida.

Por esse motivo, a campanha ganhou relevância nacional ao adotar um lema direto e educativo: “se não houver cura, que haja cuidado”. A proposta é deslocar o olhar da população apenas do tratamento da doença para uma abordagem que inclua informação, diagnóstico precoce e manejo adequado ao longo do tempo.

Além disso, o Fevereiro Roxo ajuda a esclarecer um ponto importante. Quando se fala em prevenção nesse contexto, o objetivo não é impedir que a doença surja, já que muitas têm origem genética, autoimune ou degenerativa. O foco está em reduzir crises, retardar a progressão dos sintomas e evitar complicações que comprometem a autonomia do paciente.

Lúpus: controle diário e atenção aos sinais do corpo

O Lúpus Eritematoso Sistêmico, conhecido pela sigla LES, é uma doença inflamatória autoimune. Isso significa que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo, podendo afetar pele, articulações, rins, pulmões, coração e outros órgãos. Segundo o reumatologista André Santos, a condição se manifesta de forma variável, com períodos de remissão e fases de atividade mais intensa.

Entre os sinais mais conhecidos estão manchas avermelhadas no rosto, principalmente sobre o nariz e as bochechas, além de cansaço persistente, dores articulares, febre baixa e sensibilidade ao sol. Porém, os sintomas podem variar bastante de pessoa para pessoa, o que dificulta o diagnóstico precoce”, afirma o reumatologista.

Nesse cenário, o acompanhamento médico regular é um dos pilares do cuidado. Embora não exista cura, o tratamento adequado permite controlar a atividade da doença e reduzir o risco de lesões em órgãos vitais. Além do uso de medicamentos prescritos, algumas medidas do dia a dia ajudam a evitar crises.

A proteção contra a radiação ultravioleta é uma delas, já que a exposição ao sol pode desencadear manifestações do Lúpus. O controle do estresse também é relevante, pois alterações emocionais podem interferir na resposta imunológica. Da mesma forma, a prevenção de infecções, com atenção à higiene e à vacinação orientada pelo médico, faz parte da rotina de quem convive com a doença.

Com informação e acompanhamento, muitas pessoas com Lúpus conseguem manter atividades profissionais, sociais e familiares, ajustando hábitos conforme a evolução do quadro.

Fibromialgia: quando a dor precisa ser compreendida

Já a Fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética difusa e persistente. Diferentemente do que se imagina, não se trata de um processo inflamatório. O que ocorre é uma alteração na forma como o sistema nervoso central processa os estímulos dolorosos, amplificando sensações que normalmente não causariam dor intensa.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a Fibromialgia atinge cerca de 2,5% da população mundial e é mais frequente em mulheres entre 30 e 50 anos. No Brasil, aproximadamente 7 milhões de pessoas convivem com a condição.

Além da dor generalizada, são comuns distúrbios do sono, sensação de cansaço ao acordar, dificuldades de concentração e alterações de humor. “Esses sintomas costumam impactar o desempenho no trabalho e as relações sociais, o que reforça a importância do diagnóstico e do tratamento adequados”, pontua o reumatologista.

O manejo da Fibromialgia envolve uma combinação de abordagens. A qualidade do sono é um dos pontos principais, já que é durante o descanso profundo que ocorre a regulação de neurotransmissores ligados à dor. Manter horários regulares para dormir e acordar faz parte da estratégia terapêutica.

A prática de atividade física de baixo impacto, como caminhadas, alongamentos e exercícios aquáticos, também é recomendada, pois contribui para o condicionamento físico e para a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar. Além disso, ajustes na alimentação, com redução de ultraprocessados e açúcares, podem ajudar a diminuir a sensibilidade do organismo.

Com acompanhamento multiprofissional, muitas pessoas com Fibromialgia conseguem reduzir os sintomas e retomar atividades que haviam sido limitadas pela dor.

Alzheimer: informação e cuidado desde os primeiros sinais

Descrita pela primeira vez em 1906, a Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Trata-se de uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta a memória, a linguagem e o raciocínio. Embora seja mais frequente em pessoas idosas, o Alzheimer não faz parte do envelhecimento normal.

Nos estágios iniciais, os sinais costumam incluir esquecimentos de fatos recentes, dificuldade para organizar tarefas e desorientação temporal. Com o avanço da doença, surgem alterações de comportamento e perda gradual da autonomia.

A causa exata do Alzheimer ainda é desconhecida, mas fatores genéticos, ambientais e relacionados ao estilo de vida parecem influenciar o seu desenvolvimento. Nesse contexto, o conceito de prevenção está ligado à redução de fatores de risco e ao fortalecimento da chamada reserva cognitiva.

Manter o cérebro ativo por meio da leitura, do aprendizado contínuo e de atividades que estimulem o raciocínio contribui para criar conexões neurais mais resistentes. O cuidado com a saúde cardiovascular também é essencial, já que condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado podem acelerar o declínio cognitivo.

Outro ponto importante é a socialização. Relações sociais frequentes ajudam a preservar funções cognitivas e emocionais, além de oferecer suporte ao longo do processo da doença. Para familiares e cuidadores, o acesso à informação e às redes de apoio é parte essencial do cuidado.

Qualidade de vida como eixo do cuidado contínuo no Fevereiro Roxo

Por fim, campanhas como o Fevereiro Roxo ampliam o debate público sobre doenças crônicas e ajudam a levar informação de saúde para além dos ambientes especializados. O Fevereiro Roxo também funciona como um convite à atenção individual. Sintomas persistentes, mesmo quando parecem difusos ou difíceis de explicar, não devem ser ignorados. Dores recorrentes, cansaço que não melhora com o descanso, lapsos de memória frequentes ou alterações no comportamento indicam a necessidade de avaliação profissional.

A escuta clínica, a investigação adequada e o acompanhamento possibilitam diferenciar sinais passageiros de condições que exigem cuidado contínuo. Quanto mais cedo esse processo começa, maiores são as possibilidades de organizar o tratamento e reduzir impactos na rotina.

Ao colocar essas doenças em pauta, o Fevereiro Roxo ajuda a transformar informação em ação. O acesso ao diagnóstico e ao cuidado começa pelo reconhecimento dos sintomas e pela decisão de buscar ajuda quando o corpo ou a mente dão sinais de que algo não vai bem.


Compartilhe:

Patrocinado

autoria

Foto de Laís Siqueira

Laís Siqueira

Jornalista

Jornalista e pós-graduada em Marketing, gosto de pesquisar, descobrir histórias e traduzir conceitos complexos em conteúdos que façam sentido. Sou movida pela curiosidade e pelo interesse em explorar o universo...
Patrocinado