O envelhecimento da população entrou de vez na pauta nacional após o Enem 2025 trazer o assunto para o centro da redação. A escolha do tema, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, reforça como a discussão sobre longevidade e inclusão de pessoas mais velhas se tornou urgente, sobretudo em um país que está passando por uma transformação demográfica acelerada.
Um dos recortes que chamou atenção neste ano foi o aumento de candidatos idosos inscritos. Segundo dados oficiais, mais de 17 mil pessoas com 60 anos ou mais participaram da edição. O número representa um crescimento em relação aos últimos anos. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais concentram a maior parte desses participantes, o que indica um movimento de retomada dos estudos por esse público.
Além disso, o funcionamento da correção permanece o mesmo: cada redação passa por dois avaliadores e é analisada a partir de cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos. A nota final corresponde à média das avaliações. No próximo domingo, acontece a segunda etapa do exame, com questões de matemática e ciências da natureza. Como ocorre tradicionalmente, o desempenho no Enem pode ser usado para disputar vagas tanto em universidades públicas quanto privadas, o que ajuda a explicar o interesse de diferentes faixas etárias.
Envelhecimento cresce no país e amplia desafios sociais
Enquanto o Enem 2025 movimenta candidatos, o tema da redação dialoga diretamente com as projeções demográficas mais recentes. De acordo com os dados do IBGE, o Brasil vive um processo contínuo de mudança na estrutura etária. Em 2000, idosos representavam menos de 9% da população. Já em 2023, ultrapassaram 15%. As estimativas apontam que, em 2070, mais de um terço dos habitantes poderá ter 60 anos ou mais.
Diante desse cenário, o debate sobre como o país se prepara para essa transformação se torna ainda mais necessário. A ampliação da expectativa de vida exige atenção a áreas como saúde, educação continuada, participação social e inclusão digital. Além disso, a presença de mais idosos em ambientes educacionais, como no Enem, estimula reflexões sobre novas formas de convivência intergeracional.
Outro ponto em discussão é o etarismo, termo usado para descrever práticas e atitudes discriminatórias relacionadas à idade. A escolha do tema da redação contribui para trazer esse assunto ao centro das conversas, uma vez que reforça a importância de analisar como pessoas mais velhas são tratadas no mercado de trabalho, nos serviços de saúde, nas políticas públicas e no cotidiano.
Participação de idosos no Enem 2025 reforça debate sobre inclusão
A maior presença de idosos no exame fortalece a discussão sobre envelhecimento ativo e redução de barreiras. Além disso, estimula instituições a repensar estratégias de acolhimento, acessibilidade e permanência estudantil. À medida que mais pessoas buscam formação ao longo da vida, cresce a necessidade de ampliar espaços de aprendizagem que atendam diferentes ritmos, interesses e trajetórias.
O aumento desse público também contribui para evidenciar que educação não está restrita a uma faixa etária específica. Pelo contrário, a busca por qualificação pode ocorrer em qualquer fase da vida. Assim, o Enem se torna um ambiente onde diferentes gerações se encontram e compartilham objetivos comuns.
Por fim, a escolha do tema da redação cria uma oportunidade para aprofundar o debate sobre como o Brasil pode construir políticas mais inclusivas. Ao incentivar reflexões sobre envelhecimento, o exame ajuda a ampliar a compreensão sobre uma realidade cada vez mais presente no país. Dessa forma, abre espaço para ações que promovam respeito, participação e redução do etarismo.



