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Deslizar perfis, esperar respostas e manter conversas que raramente saem do aplicativo têm se tornado tarefas cansativas para muita gente. O que antes parecia uma maneira divertida de conhecer pessoas vem gerando um efeito oposto: ansiedade, frustração e esgotamento emocional. O fenômeno, chamado de dating burnout (ou esgotamento dos relacionamentos em tradução livre), tem ganhado espaço nas conversas sobre saúde mental, sobretudo entre jovens da Geração Z e millennials, os grupos que mais usam plataformas como Tinder, Bumble e Happn.

De acordo com uma pesquisa da Forbes Health/OnePoll, os usuários passam, em média, 51 minutos por dia em aplicativos de namoro. O levantamento mostra que quase metade das pessoas busca um relacionamento sério nessas plataformas, com a Geração Z liderando a intenção (52%). Mesmo assim, boa parte relata sensação de desgaste e desânimo diante da superficialidade das interações.

Dating burnout: entre match e frustrações

O excesso de opções, as trocas rápidas e a ausência de continuidade têm transformado o ato de conhecer alguém em algo parecido com uma rotina de trabalho. Para muitos, os aplicativos deixaram de ser espaços de descoberta e se tornaram fontes de cobrança e comparação.

A publicitária Nicole Guimarães, 30 anos, conta que o uso frequente dos apps a levou a um esgotamento emocional. “No começo, a praticidade era empolgante, mas logo virou um ciclo de ansiedade e decepção. Sentia que precisava ter o perfil perfeito, manter conversas interessantes e lidar com o medo constante de ser ignorada”, diz. “Cada match criava uma expectativa imensa, mas a maioria das conversas era superficial. Parecia um jogo em que eu investia tempo e energia sem chegar a lugar nenhum”.

Nicole relata que chegou a ter crises de ansiedade e passou a checar o celular constantemente, esperando respostas que confirmassem seu valor. “Quando percebi que estava exausta, decidi sair dos aplicativos. Essa pausa me fez bem. Hoje, sem a pressão do match e das notificações, me sinto mais tranquila e focada em mim”.

O impacto emocional dos relacionamentos digitais

Atualmente, o dating burnout está ligado à dinâmica de estímulos e recompensas típica das plataformas digitais. Cada curtida, conversa ou match ativa circuitos de dopamina no cérebro, o mesmo mecanismo que ocorre com redes sociais. Quando essas recompensas não se mantêm, surgem sentimentos de frustração e de rejeição.

O comportamento conhecido como ghosting, quando alguém desaparece sem explicação, agrava o quadro. A falta de clareza e de responsabilidade afetiva gera insegurança e reforça o ciclo de exaustão. Ao contrário do que muitos pensam, o desgaste não está relacionado apenas à busca por amor, mas também à necessidade de validação e pertencimento.

Tendência de pausa e reconexão

Nos últimos meses, estima-se que tenha crescido o número de pessoas que relatam estar fazendo uma pausa digital, ou seja, um período longe dos aplicativos para se reconectar com a própria vida social fora das telas. Grupos online e comunidades no Reddit e TikTok mostram que o movimento é global: usuários compartilham experiências de dating detox”, onde se comprometem a ficar semanas ou meses sem abrir os apps.

Para muitos, esse intervalo tem sido um ponto de virada. Ao reduzir o tempo nas plataformas, há melhora no sono, diminuição da ansiedade e retomada da autoestima. Também aumentou o interesse por formas mais espontâneas de conhecer pessoas, como eventos culturais, grupos de esportes e encontros promovidos por amigos.

Como evitar o dating burnout

Evitar o esgotamento nos aplicativos de relacionamento passa por repensar a maneira de usá-los. Algumas opções são estabelecer limites de tempo diário, evitar usar os apps em momentos de tédio ou solidão e não transformar o match em métrica de validação pessoal. Pausar o uso quando o processo deixa de ser prazeroso também é uma forma saudável de autocuidado.

Além disso, vale investir em conexões fora das telas: cultivar hobbies, frequentar espaços de interesse comum e fortalecer vínculos ajudam a reduzir a pressão por resultados imediatos. Por fim, lembrar que os aplicativos são apenas uma das formas possíveis de conhecer pessoas pode aliviar a carga emocional. O amor digital existe, mas ele não precisa ser vivido à custa da saúde mental.


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