Entre as muitas atividades que podem beneficiar o corpo e a mente, dançar tem ganhado destaque nas pesquisas sobre saúde cerebral. Durante uma palestra no evento HSM+, realizado em São Paulo, o médico Peter Attia, especialista em envelhecimento saudável, chamou atenção para o papel da dança na prevenção de doenças como Alzheimer e outros tipos de demência. Segundo ele, mais do que resolver cruzadinhas ou jogos de lógica, o cérebro precisa ser estimulado em conjunto com o corpo.
De acordo com Attia, atividades puramente mentais são úteis, mas têm um alcance limitado quando o objetivo é manter o cérebro ativo e resiliente. O ideal é engajar a mente enquanto o corpo se move, exigindo planejamento, coordenação e resposta rápida. E é nesse ponto que a dança se destaca, pois combina música, ritmo, memorização de passos e interação social.
Dançar ajuda a manter o cérebro em atividade
A prática estimula múltiplas áreas cerebrais ao mesmo tempo, responsáveis por equilíbrio, memória, percepção espacial e controle motor. Além disso, envolve uma sequência de decisões, já que o corpo precisa reagir aos movimentos, à música e, muitas vezes, ao parceiro de dança. Essa combinação parece ser eficaz para manter o cérebro em atividade, um fator associado à menor incidência de doenças neurodegenerativas.
Outro aspecto relevante é o impacto do estilo de vida sobre o risco de demência. Um estudo da Universidade de Nova Gales do Sul da Austrália, publicado na revista The Lancet Healthy Longevity, investigou como a falta de tempo livre afeta a saúde cerebral. Os pesquisadores constataram que rotinas excessivamente ocupadas, com pouco espaço para lazer e descanso, estão ligadas a comportamentos que aumentam o risco da doença, como sedentarismo, alimentação inadequada e privação de sono.
Essa sobrecarga é ainda mais evidente entre as mulheres, especialmente aquelas com menor renda, que acumulam múltiplas responsabilidades e encontram mais dificuldade em reservar tempo para si. Mesmo assim, os autores destacam que pequenas pausas e práticas prazerosas podem ter impacto positivo na saúde do cérebro. Nesse sentido, dançar pode ser uma alternativa viável e acessível, já que pode ser feita em casa, em academias, em aulas coletivas ou em eventos comunitários.
Dançar estimula a lideração de dopamina e serotonina
A ciência ainda busca compreender todos os mecanismos por trás desse efeito, mas o que se sabe é que a dança ativa circuitos neurais ligados à memória e à emoção. Ela também estimula a liberação de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, substâncias relacionadas à sensação de bem-estar e ao aprendizado. Quando praticada com regularidade, essa atividade pode favorecer tanto a saúde mental quanto a social, pois incentiva o convívio e o senso de pertencimento.
Outro ponto é que dançar não precisa ser visto como um exercício formal. O simples ato de se movimentar ao som de uma música, por alguns minutos ao dia, já ajuda a integrar corpo e mente. O que importa é a consistência. A prática regular, mesmo que em intensidade leve, estimula a plasticidade cerebral e contribui para preservar funções cognitivas ao longo dos anos.
Em um cenário em que o envelhecimento da população é cada vez mais rápido, encontrar formas sustentáveis de cuidar do cérebro se torna essencial. Dançar, nesse contexto, surge como uma alternativa que pode ser incorporada à rotina sem exigir grandes investimentos.
Por fim, dançar estimula a concentração, a criatividade e a conexão com outras pessoas, fatores que, combinados, ajudam a manter o cérebro ativo. Com tantas evidências em torno do tema, talvez o primeiro passo para cuidar da mente seja começar a dançar.



