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A menopausa marca o fim do ciclo reprodutivo, mas também inaugura uma fase de adaptações no corpo feminino. Entre as transformações mais relevantes está o impacto hormonal sobre o assoalho pélvico, conjunto de músculos responsável por sustentar órgãos como bexiga, útero e intestino. Com a queda do estrogênio, esses tecidos passam por alterações que podem afetar a continência urinária, o conforto na relação sexual e a qualidade de vida.

De acordo com a ginecologista Patrícia Dias, ainda existe desinformação sobre o tema. “Muitas mulheres chegam ao consultório acreditando que a perda de força na região pélvica é uma consequência inevitável do tempo. Mas a verdade é que o assoalho pélvico é um conjunto muscular como qualquer outro: se não for exercitado, ele enfraquece”, diz. 

Segundo a médica, a menopausa acelera esse processo por causa da queda hormonal, porém há formas de preservar a funcionalidade. “Com acompanhamento correto e exercícios de fortalecimento, é possível manter conforto e qualidade de vida em todas as fases”, comenta.

O efeito da queda do estrogênio na região íntima

Durante o período reprodutivo, o estrogênio atua diretamente na manutenção da espessura, da elasticidade e da lubrificação da mucosa vaginal. Com a chegada da menopausa, a produção desse hormônio diminui. Como resultado, os tecidos da região urogenital tornam-se mais finos, menos elásticos e mais ressecados.

Esse processo é conhecido como atrofia urogenital. Ele pode provocar ardor, coceira, sensação de secura e maior sensibilidade durante a relação sexual. Além disso, a redução hormonal interfere na qualidade das fibras musculares do assoalho pélvico, favorecendo a perda de força e resistência.

O que muitas mulheres não percebem é que essas mudanças não afetam apenas o conforto íntimo. A sustentação dos órgãos pélvicos depende da integridade muscular e do suporte dos tecidos. Quando essa estrutura perde tonicidade, surgem sintomas como escapes urinários, sensação de peso na pelve e desconforto ao realizar esforços físicos.

Para a ginecologista, é importante compreender o que está por trás desses sinais. “Precisamos parar de normalizar o desconforto. Sentir urgência para urinar ou dor na relação sexual não deve ser aceito como parte da idade. O cuidado com o assoalho pélvico na maturidade é uma questão de liberdade. Quando tratamos a musculatura e a saúde dos tecidos, devolvemos à mulher a confiança para tossir, espirrar ou praticar atividades físicas sem medo de escapes ou constrangimentos”, explica.

Portanto, embora a queda hormonal seja um processo natural da menopausa, os sintomas associados a ela podem e devem ser avaliados. O acompanhamento ginecológico permite identificar precocemente alterações na mucosa e na musculatura, além de orientar intervenções adequadas.

Incontinência urinária não é parte obrigatória do envelhecimento

Um dos temas mais frequentes no consultório é a perda involuntária de urina ao rir, tossir, espirrar ou carregar peso. Muitas mulheres relatam esses episódios como algo esperado com o avanço da idade. Contudo, a ginecologista reforça que, apesar de comum, a incontinência urinária não é normal.

Na menopausa, a combinação entre redução do estrogênio e enfraquecimento muscular aumenta o risco de incontinência de esforço. Isso acontece quando a pressão abdominal supera a capacidade de contração do assoalho pélvico, resultando em pequenos escapes.

Além do impacto físico, a incontinência pode afetar o convívio social e a autoestima. Algumas mulheres passam a evitar exercícios, viagens longas ou encontros por receio de situações constrangedoras. Esse comportamento, por sua vez, contribui para o isolamento e para a redução da atividade física, o que pode agravar ainda mais o enfraquecimento muscular.

Outro ponto que merece atenção é o chamado prolapso genital, popularmente conhecido como bexiga caída. Trata-se da descida de órgãos pélvicos em direção ao canal vaginal, causada pela perda de sustentação muscular e ligamentar. Em estágios iniciais, pode haver apenas sensação de peso ou pressão. Em casos mais avançados, pode ocorrer exteriorização parcial do órgão.

A prevenção começa com o fortalecimento do assoalho pélvico. Exercícios específicos, orientados por fisioterapeutas especializados em saúde pélvica, ajudam a melhorar a força, a coordenação e a resistência muscular. “Esses treinos incluem contrações voluntárias, técnicas de biofeedback e, em alguns casos, o uso de dispositivos intravaginais para auxiliar na percepção muscular”, contextualiza Patrícia.

Além disso, hábitos como manter o peso adequado, tratar a constipação e evitar esforços repetitivos contribuem para reduzir a sobrecarga sobre a pelve. A avaliação individual é fundamental para definir a melhor estratégia em cada caso.

Assoalho pélvico e o impacto no prazer sexual 

As alterações hormonais da menopausa também podem repercutir na vida sexual. A diminuição da lubrificação e a maior sensibilidade da mucosa tornam a relação desconfortável para algumas mulheres. Paralelamente, a perda de tonicidade do assoalho pélvico pode reduzir a percepção e a intensidade das sensações durante o contato íntimo.

Porém, esse cenário não precisa ser definitivo. O fortalecimento muscular melhora a circulação sanguínea local e favorece a resposta sexual. Com músculos mais ativos, há maior controle e percepção da contração vaginal, o que pode contribuir para o prazer.

Entre as opções terapêuticas disponíveis, estão a reposição hormonal local, realizada por meio de cremes ou óvulos vaginais com estrogênio, indicada para melhorar a qualidade da mucosa. Outra alternativa é o laser vaginal, tecnologia utilizada para estimular a produção de colágeno e promover renovação dos tecidos. O procedimento é realizado em consultório e deve ser indicado após avaliação médica.

Em situações específicas, a terapia hormonal sistêmica também pode ser considerada, sempre após análise dos riscos e benefícios. Já os casos de prolapsos avançados ou incontinência persistente podem exigir intervenção cirúrgica, embora essa não seja a primeira abordagem na maioria das mulheres.

A recomendação é que qualquer sintoma relacionado à menopausa e ao assoalho pélvico seja discutido com o ginecologista. Quanto mais precoce a intervenção, maiores as chances de preservar a função muscular e evitar complicações.

Em resumo, a menopausa traz mudanças hormonais que afetam diretamente o assoalho pélvico, mas isso não significa perda inevitável de qualidade de vida. Informação, acompanhamento médico e adesão a exercícios específicos permitem atravessar essa fase com mais segurança e autonomia. Ao reconhecer os sinais do corpo e buscar orientação adequada, a mulher amplia suas possibilidades de bem-estar em todas as etapas da vida.


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